
Encerrando a primeira mesa de debates, o norte-americano e Mestre em Relações Internacionais Ethan Nadelmann começou sua exposição de forma diferente dos demais. Primeiro ele realizou um pequeno censo demográfico para saber a origem dos presentes no auditório da UFRJ. Logo em seguida, ele pediu desculpas pelos danos que seu país causou ao mundo pela fracassada política de guerra as drogas.
Ao explicar sua posição pessoal Ethan foi direto ao defender a legalização da maconha. “ A melhor política de redução de danos e a regulamentação e tributação do comercio da cannabis. Torço muito para a aprovação da legalização na Califórnia, que será decidida por meio de plebiscito no próximo mês de novembro”, disse.
Ethan lembrou que o governo norte-americano foi o responsável por treinar agentes policiais de mais de 100 países para fortalecer a política proibicionista. “O únicos resultados gerados por essa guerra foram o fortalecimento de organizações criminosas, o aumento da corrupção no meio governamental e o crescimento de casos de violação dos diretos humanos”, afirma.A extensa lista de problemas causados pelo criminalização das drogas apresentadas por Ethan Nadelmann ainda apresentou um problema que afeta diretamente os cofres do governo: o exagerado encarceramento da população. Segundo Ethan, 25 % da população de presos do mundo cumpre pena por violar a atual lei de drogas. “Nos Estados Unidos temos 5 % da população mundial e 20% da população encarcerada do planeta”.
Em defesa de Obama
Apesar de lamentar a política repressiva desenvolvida pelos Estados Unidos, Ethan elogiou a atuação do governo Obama e se mostrou compreensível com a demora na apresentação de um plano de mudanças na Lei de Drogas “Mudar uma política que já dura 100 anos é tão difícil como manobrar um transatlântico. É natural que este processo demore muito”, declarou.
Visão e Realidade Mexicana da HistóriaAntes de Ethan acabar com o sono da platéia, Luis Astorga teve a missão de passar os slides mostrando todo histórico do caos mexicano em relação à repressão das drogas. O palestrantes é doutor em Sociologia pela Universidade de Paris I e Pesquisador do Instituto de Investigações Sociais da Universidade Nacional Autônoma do México, além de Coordenador da Cátedra UNESCO “Transformações econômicas e sociais relacionadas com o problema internacional das drogas”.
Luis passou por tópicos como o Marijuana Act, de 1937, que criminalizou a maconha nos EUA e, consequetemente influenciou o país vizinho latino. Ele contou também que o crime organizado por lá se formou completamente indepentende do poder político. Ele, assim como Ethan, fez questão de deixar claro que o EUA foi a principal influência mundial para que a atual política de drogas fosse imposta.
Durante os anos 60, em meio a administração Nixon, México e EUA tiveram inclusive rixas dipolmáticas devido ao fechamento das fronteiras com o objetivo de impedir o contrabando. Toda proibição e confronto é o que influi a atual realidade do povo mexicano e para que o destino mude, Luis postula diversos passos, mas o primeiro é: “Modificar a maneira radical a forma como as drogas são combatidas e vistas pela socieade”.

foram apresentados estudos e propostas que buscam uma maior aproximação entre agentes de saúde e usuários de drogas.
Na linha de frente da política de drogas do governo Lula, o deputado Federal Paulo Teixeira (PT-SP), acredita que o caminho da Lei de Drogas brasileira está no caminho da total despenalização dos usuários de drogas e no fortalecimento das políticas de redução de danos. O deputado esteve presente na mesa que encerrou a II Conferencia Latino Americana e I Conferência Brasileira sobre Política de Drogas.

Mais do que uma política sangrenta, Minc lembrou que ela é utilizada para criminalizar a população mais pobre. “Nos bairros mais ricos dificilmente encontramos pessoas presas por tráfico de drogas. Já nas regiões mais carentes quase todas as pessoas detidas com entorpecentes são enquadradas como traficantes”, revelou.
Antes de ser debatido no meio governamental, o debate para a construção de uma nova política drogas precisa passar por um profundo debate técnico, avaliando todas as problemáticas sociais.
A quarta mesa da Conferência teve por objetivo traçar um Painel de Políticas Sócio-Sanitárias. A sessão foi mediada por Milton Romaní Gerner, psicólogo uruguaio atual Secretário Geral Nacional de Drogas. Além dele, dois outros estrangeiros participaram do encontro: Manuel Cardoso, de Portugal, Membro do Conselho Diretivo do Instituto de Droga e Toxicomania; além dos brasileiros Luciana Boiteux e Pedro Gabriel Delgado.
A professora mestra e doutora em Direito, Luciana Boiteux, teve participação importante na explicação detalhada da pesquisa sobre crimes e drogas, divulgada no meio deste ano. O discurso deixou claro o quanto a especialista é inconformada com a atual política repressiva que se mostra sobretudo injusta. Luciana ainda reafirmou várias a vezes a necessidade do uso da Redução de Danos que, segundo ela, “deve estar presente em qualquer cartilha do mundo”.
Rio de Janeiro. A participação de Delgado tratou principalmente do assunto da dependência química com cunho médico, destacando ainda a necessidade de internação e tratamento de usuários.
no Brasil (Unaids), o médico Pedro Chequer esteve presente na II Conferência Latino Americana sobre Política de Drogas.
Sem medo de ser alvo de piadas, o Coronel lembrou da época que achava que a maconha era a erva do Diabo e sentia raiva ao ouvir um discurso em defesa da descriminalização.
Já Claudio Morgado, Presidente do Instituto Nacional contra a Discriminação, a Xenofobia e o Racismo (INADI) e membro do Ministério da Justiça, Segurança e Direitos Humanos da República Argentina, falou sobre a necessidade de que os usuários sejam tratados como cidadãos de direito. Além disso, ele salientou a importância de uma articulação interministerial para que o debate possa avançar na Argentina e que parceiras internacionais também devem ser buscadas para que haja um avanço global em relação a causa.
Na opinião de Kasia Malinowska-Sempruch, Diretora do Programa Global sobre Políticas de Drogas do Open Society Institute, da Polônia, a América Latina assume uma posição de ponta no debate, afinal, segundo ela “essa é primeira Conferência com foco global que é organizada”. Ela lembrou também do quanto a política repressiva é um fracasso sobretudo no que diz respeito a questão de Saúde Pública. 

