Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro, HRC, Cleveland, 1998

Estamos publicando este trabalho apresentado na conferência da Harm Reduction Coalition (HRC) de 1998, em Cleveland, EUA, para saber se outros colegas porventura escreveram sobre este assunto naquela época. Gostaríamos de comparar visões daquele momento em que não se falava de “guerra às drogas”, em que ninguém identificava os confrontos armados entre policiais e criminosos nas favelas e guetos do Brasil como uma decorrência direta dessa guerra. Não conhecemos nenhum outro trabalho sobre o assunto publicado ou apresentado naquele tempo por pesquisadores brasileiros. Se existem, gostaríamos de referi-los nesta matéria.

Portanto, muito provavelmente esta foi a primeira vez que a violenta política brasileira de confronto armado entre policiais e "traficantes", assim como suas consequências, foi denunciada no exterior. A plateia era composta de ativistas, acadêmicos, pesquisadores, usuários de drogas, profissionais da saúde, do direito e de outras áreas afins. O teatro da guerra eram - e ainda são - as favelas e guetos.


HRC98_WarOnDrugs

Certificado da apresentação do trabalho "The War on Drugs in Rio de Janeiro" (A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro) na 2a Conferência da Harm Reduction Coalition, Cleveland, 1998


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Marcha da Maconha 2004, Rio de Janeiro, Ipanema, maio de 2004

por Luiz Paulo Guanabara

Outro dia recebi uma dissertação sobre a chamada Marcha da Maconha, mais uma, o autor preocupado com seu capítulo sobre a história do movimento e me comunicando que usara todo o material publicado neste blog sobre a primeira marcha da maconha feita no Brasil, no Rio, em maio de 2002, quando cerca de 500 pessoas tomaram as ruas de Ipanema, indo da Praça N. Sra da Paz até o Posto 9, ocupando um quarteirão inteiro da Rua Visconde de Pirajá antes de dobrar na Vinícius de Morais e chegar na praia.

Depois da Marcha de 2002 organizada pela ativista portuguesa Suzana Souza, que ao mesmo tempo também organizou a 1a marcha da maconha em Rosário, Argentina, no mesmo fim de semana, Suzana nunca mais se envolveu publicamente com atividades pela legalização da maconha. Ela me apresentou ao novaiorquino Dana Beal diretor da ONG Cures-Not-Wars (algo como Curar Sim Guerras Não) e a Psicotropicus passou a ser a organização representante oficial da Marcha Mundial da Maconha (MMM), que em 2002 foi realizada em cerca de 250 cidades ao redor do mundo.

Ou seja, a Suzana introduziu o Rio no mapa do projeto internacional da MMM, que chegou a reunir mais de 300 cidades em algumas de suas edições, iniciadas em 1999. As passeatas e manifestações pela legalização da maconha tiveram início nos anos 1960-70, as mais visíveis tendo ocorrido nos EUA. No início de seu governo o presidente Jimmy Carter chegou a legalizar a maconha, para voltar atrás alguns meses depois. Mas foi o projeto da MMM que estabeleceu uma continuidade de marchas anuais em um número cada vez maior de cidades.
MMM 030