Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O problema de pressuposto das internações compulsórias: o que existe embaixo do tapete?

Por João Pedro Pádua

Umas das grandes funções, digamos, macrossociais das instituições totais (para usar o clássico conceito de E. Goffman) é tirar do meio social situações e atores com os quais a maioria da sociedade não quer ter de lidar. As prisões são um óbvio exemplo (talvez justificável, ao menos muitas das vezes). Os hospitais são outro exemplo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O pior é que não!

No blog do Eduardo - peço perdão por não saber seu nome completo – encontrei um artigo comentando o absurdo da repressão à Marcha da Maconha em São Paulo na semana retrasada. Ele falava também de crack, e sobre isso disse a ele – e eventualmente aos que leriam o comentário:

cracolan Eduardo,
Gostei do seu texto, parabéns, mas há um equivoco em relação às "cracolândias". Não se pode chamar de traficante aquele pé de chinelo que aparece distribuindo um punhado de pedras de crack. Senão vira bagunça. Aliás, a palavra "traficante" já perdeu qualquer definição. Tanto o Beira-Mar quanto a idosa de 70 anos vendendo  5 trouxinhas de maconha são "traficantes". Uma imprecisão inadmissível que gera barbaridades jurídicas que custam alto à sociedade. É impressionante como o judiciário brasileiro é uma fonte de prejuízo para o país.

Reconheço que é toda uma dinâmica difícil de entender, o crack na verdade é um problema menor em relação a todas as drogas, como explicou a diretora da SENAD em recente artigo na Folha - e como sabemos nós, que lidamos com isso diretamente no campo. É preciso também estar atento para as manobras interesseiras da indústria do tratamento da dependência química, que é contra a legalização da cannabis e a favor de uma pedagogia do medo - para obter mais pacientes e lucrar com a desgraça. Para eles, não existe fumar maconha ou usar qualquer droga ilícita sem qualquer prejuízo físico ou mental. Para eles existe somente abusar do uso da cannabis  ou de qualquer daquelas drogas classificadas como ilícitas: para muitos desses médicos, quem fuma maconha ou usa drogas ilícitas – e até mesmo lícitas, como o cigarro - é necessariamente um doente. É preciso cuidado com esse grupo reacionário que visa ao lucro de suas clinicas, passando por cima de quaisquer comprovações científicas contrárias à sua ideologia e interesses.