Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Política de Drogas e Direitos Humanos – 4º capítulo

Budapeste, 18 de julho de 2011

por Luiz Paulo Guanabara

Ativista brasileiro e seu amigo férreo na rua da UniversidadeSão seis horas e pouco da manhã, dormi pouquíssimo. Aí no Brasil, passa da uma e apesar de haver gente acordada, a grande maioria já está dormindo. Aproveito então para invadir o seu sono com minhas histórias, trazer do fundo do inconsciente coletivo uma luz sobre a política de drogas vigente, nem que seja provocando em muitos o pesadelo da regulamentação das drogas atualmente proibidas ou a consciência de que a guerra às drogas fracassou e é preciso um novo sistema de controle – na verdade, um sistema que realmente controle, já que, do jeito que está, a produção e comércio das drogas ilícitas é monopólio do tráfico, que lucra rios de dinheiro todos os dias sem pagar um centavo de impostos. E compra com essa grana um número cada vez maior de armas e monta exércitos para proteger os imensos lucros que o governo, tal inocente útil, lhe ajuda a realizar. E quem paga o pato? Quem mais sofre com essa política hipócrita, ridícula e insana? O povo desprotegido, alienado, vítima de balas perdidas, traficantes, milícias e de toda uma violência artificialmente construída pela ignorância, hipocrisia e incompetência de políticos e governantes que - em quase sua totalidade - não entendem a verdadeira dimensão do “problema mundial das drogas” ou se aproveitam desse status quo para empunhar sua bandeira de moralidade em troca do voto fácil da população iludida.

sábado, 16 de julho de 2011

Política de Drogas e Direitos Humanos – 3º capítulo

Budapeste, 15 de julho de 2011

por Luiz Paulo Guanabara

Discussão dos temas - grupos aleatórios - alunos e professores

A primeira semana de aulas terminou hoje, com a excelente apresentação do advogado e acadêmico polonês Krzysztof Krajewski, sobre sistema de justiça criminal na aplicação das leis de drogas. Repare no nome do professor, que começa com Krz, depois um “y” vogal, szt, a vogal “o” e um “f” final: sete consoantes e duas vogais, sendo que a letra “y” não reconhecemos como vogal na língua brasileira – eu acho. É o equivalente português de Cristovão, claro. Embora seu discurso com auxílio de slides tenha tomado as duas sessões da manhã e a primeira sessão da tarde, em várias outras sessões durante a semana os temas em questão foram discutidos por alunos e professores divididos na sala em grupos de seis ou sete pessoas. Nessas discussões, os participantes relatam como o assunto em pauta se manifesta em cada um dos cerca de vinte e cinco países representados. Na segunda sessão da tarde de hoje, foi feita uma avaliação da semana, com sugestões e críticas para aprimorar o curso na semana que vem e no próximo ano. Houve então uma segunda rodada de apresentações, já que não é mole apreender nome, origem,background, instituição, interesses acadêmicos e trabalho atual em um grupo tão heterogêneo. Também foi combinada a ida esta noite a um pub na cidade e o passeio que faremos no domingo, quando entre outras atrações visitaremos o famoso castelo no lado Buda da cidade (nada a ver com o Buda do budismo, diga-se de passagem). Como já disse antes, Budapeste é a reunião de duas cidades distintas, Buda e Peste. Na volta à residência, vim andando até o metrô com a colombiana Catalina, a indiana Melody e a lituânia Larisa, com seus seios grandes, fartos e rígidos - impossível não notá-los querendo se livrar da blusa apertada! No caminho, compramos sabão em pó para o laundry conjunto que faremos amanhã nas máquinas do subsolo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Política de Drogas e Direitos Humanos – 2º capítulo

Budapeste, 13 de julho de 2011
por Luiz Paulo Guanabara
Manha do 1º dia de aula Se você leu meu primeiro relato, deve ter percebido que é importante checar as datas do seu e-ticket antes de viajar, para não acontecer o que aconteceu comigo. Já me ocorreu também de chegar no check-in e descobrir que meu vôo era no dia seguinte! Foi no aeroporto de Viena, e fiquei de mala na mão! (“ficar de mala na mão” é isso - contribuição que faço agora ao nosso léxico.) Essa situação é mais fácil de resolver, se você não tem de estar impreterivelmente no destino de sua viagem no dia seguinte: você volta pra cidade e dorme lá ou, como eu fiz, inclusive porque a cidade era longe, se hospeda num hotel perto do aeroporto, relaxa, janta, fuma um (se tiver) e viaja no dia seguinte. Por acaso eu tinha, e nessas horas nada é mais medicinal para esse tipo de estresse que uma boa cannabis.
O curso começou na segunda-feira. Depois de dormir apenas três horas e passar a madrugada acordado, apesar de todo meu arsenal benzodiazepínico, desci as oito para o café da manhã – um bufê muito bom, por sinal. O mexicano Aram Barra, 25 anos, me enviara uma mensagem pelo Face para encontrá-lo no lobby e irmos juntos à universidade que fica no centro de Peste (o centro de Buda ainda não conheci). Aram é um dos muitos bons amigos que tenho no movimento antiproibicionista internacional, ativista da melhor qualidade, excelente companhia.  Ainda desorientados, tomamos o ônibus que passa em frente ao centro residencial e depois o metrô até a estação Örs Vezér tér. Depois de subir pela íngreme e comprida escada rolante até a rua, que espetáculo!, aquela arquitetura européia século XVII ou XVIII, prédios de três ou quatro andares minuciosamente erguidos e trabalhados e ao fundo uma imponente e deslumbrante catedral .

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Política de Drogas e Direitos Humanos

por Luiz Paulo Guanabara
Entre Paris e Budapeste, 9 de julho de 2011

 

Já aconteceu um monte de imprevistos nessa viagem e estou no avião que está me levando de Paris a Budapeste, meu primeiro destino, onde participarei do curso de verão Política de Drogas e Direitos Humanos, na Universidade da Europa Central. O curso terá duração de duas semanas.
 
Depois de preencher todo um longo formulário que incluiu uma Declaração de Propósito e Proposta de Curso, e ganhar a bolsa, comprei há mais de dois meses com meu agente de viagens uma passagem com a Air France para Budapeste. Recebi o e-ticket por e-mail e não conferi datas, tudo tinha sido acertado por telefone: eu viajaria ontem, 8 de julho, para chegar no dia seguinte, sábado, e ir me adaptando ao con-fuso horário e ao local, antes do começo das aulas, na segunda. Pois bem, ao chegar no check in da Air France, descobri que minha ida estava marcada para o dia 7! Puta que o pariu! E a moça no balcão da companhia disse que não podia me colocar nem na lista de espera porque o avião estava lotado. Não adiantou nem argumentar que do mesmo jeito que eu não apareci na véspera, o mesmo poderia acontecer com algum passageiro. É a tal falta de mão de obra qualificada, hoje tão comentada no Brasil. Além disso, só tinha lugar no dia 11, e ainda teria de pagar um adicional.