Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas

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sexta-feira, 22 de julho de 2016

MACONHA: MITOS E FATOS - UMA REVISÃO DAS PROVAS CIENTÍFICAS (MITO 2 e MITO 3)


Foram chamados de "Mitos" as ideias que circulam na mídia e em livros e textos científicos que serviram de base para a população mundial ter hoje uma compreensão equivocada a respeito da maconha. Os "Fatos" decorrem do estudo de uma extensa coletânea das provas científicas produzidas no século XX e em geral desmentem ou desconstroem cabalmente essas ideias que acabaram por marginalizar e criminalizar a cannabis, uma planta utilizada há milênios pelos seres vivos.

Na primeira postagem estão os textos iniciais e o MITO 1. Esta segunda postagem contém o MITO 2 "A maconha não tem nenhum valor medicinal", e o MITO 3 "A maconha tem grande poder de causar dependência". Em breve todos os capítulos estarão publicados.

O livro MACONHA: MITOS E FATOS – UMA REVISÃO DAS PROVAS CIENTÍFICAS é fruto de uma parceria entre a Drug Policy Alliance (DPA), que cedeu os direitos autorais, e a Psicotropicus, que traduziu, editou e lançou a obra em 2010.

O livro encontra-se traduzido em uma dezena de línguas e agora pode ser lido em português. Ele será totalmente disponibilizado neste blog e poderá ser livremente utilizado desde que citada a fonte. Após nome do livro e autores: "Traduzido e editado por Psicotropicus, 2010".



MITO 2

 A maconha não tem nenhum valor medicinal. Existem drogas mais seguras e eficazes disponíveis. Entre elas, uma versão sintética do THC, principal princípio ativo da maconha, que, nos Estados Unidos, é comercializado com o nome de Marinol.

“Não há provas da eficácia do uso de maconha na quimioterapia. Existem inúmeras drogas alternativas que dispensam qualquer necessidade de empreender pesquisas sobre o assunto.”1

“Fumar maconha não pode ser qualificado como remédio... A maconha como questão médica é uma campanha cuidadosamente orquestrada... por hippies mais velhos, advogados e usuários de maconha que estão pregando uma peça cruel em pessoas doentes e moribundas.”2

“Considerando-se os efeitos conhecidos da maconha sobre a memória de curto prazo, parece provável que ela prejudicaria... a capacidade do paciente de lembrar-se de tomar outros remédios... essenciais.”3

“O lobby em prol da droga explora o sofrimento de pacientes portadores de doenças crônicas... como parte de uma estratégia para legalizar a maconha para uso geral”4

“Não poderia haver pior mensagem para os jovens... Justamente quando a nação está se esforçando ao máximo para ensinar adolescentes a não consumir drogas psicoativas, estão lhes dizendo que a maconha [é um] remédio.”5

FATO 2

Foi demonstrado que a maconha é eficiente na redução dos enjoos provocados pela quimioterapia de pacientes com câncer, estimula o apetite em pacientes com AIDS e reduz a pressão intraocular em pessoas com glaucoma. Existe ainda prova apreciável de que a maconha reduz a espasticidade muscular em pacientes portadores de desordens neurológicas. Pode-se obter uma pílula de THC sintético com receita médica, mas para muitos pacientes não é tão eficaz quanto a maconha fumada. O THC puro pode também produzir maiores efeitos psicoativos colaterais desagradáveis do que a maconha fumada. Atualmente, muitas pessoas usam maconha como medicamento, a despeito da ilegalidade. Ao fazê-lo, estão se arriscando à detenção e prisão.

MACONHA: MITOS E FATOS – UMA REVISÃO DAS PROVAS CIENTÍFICAS (início e Mito 1)

O livro MACONHA: MITOS E FATOS – UMA REVISÃO DAS PROVAS CIENTÍFICAS é fruto de uma parceria entre a Drug Policy Alliance (DPA), que cedeu os direitos autorais, e a Psicotropicus, que traduziu, editou e lançou a obra em 2010.

O livro encontra-se traduzido em uma dezena de línguas e agora pode ser lido em português. Ele será totalmente disponibilizado neste blog e poderá ser livremente utilizado desde que citada a fonte. Após nome do livro e autores, referir: "Traduzido e editado por Psicotropicus, 2010".

Para começar, esta postagem contém a pequena nota abaixo, o Sumário, o Prefácio, Agradecimentos,  Algumas conclusões de estudos sobre a maconha, Introdução, 20 Mitos Sobre a Maconha (os 20 capítulos) e o Mito 1. A Nota do Editor, que vem nesta seção, será atualizada e acrescentada posteriormente. 


MACONHA: MITOS E FATOS – UMA REVISÃO DAS PROVAS CIENTÍFICAS
Título em inglês: Marijuana Myths, Marijuana Facts – A review of the scientific evidence

por Lynn Zimmer e John P. Morgan


Em 1971, a Comissão Nacional sobre Abuso de Maconha e de Drogas (National Commission on Marihuana and Drug Abuse) tentou desmistificar a maconha para desobstruir o caminho para uma política pública mais racional. Quase quarenta anos depois, o que a população compreende sobre os efeitos da maconha entre os usuários e na sociedade continua distorcida por mitos e exageros. Ao apresentar as provas científicas de forma resumida e direta, Maconha: Mitos e Fatos fornece uma valiosa contribuição para um debate público racional. Isso não é pouca coisa, considerando-se que se trata de um assunto que há décadas carrega a marca da irracionalidade.

Richard J. Bonnie, Professor de Direito da University of Virginia School of Law, membro da Comissão Nacional sobre Abuso de Maconha e de Drogas formada pelo Presidente Nixon em 1972 e principal autor do relatório dessa comissão.

NE: Nixon esperava da Comissão subsídios para sua guerra contra a maconha, mas o resultado da pesquisa foi um tiro que saiu pela culatra: ele sumariamente dispensou as provas científicas e jogou o relatório no lixo.


Para Lester Grinspoon

sábado, 7 de março de 2015

MARCHA DA MACONHA SÃO PAULO - 7 DE MAIO DE 2005

por Luiz Paulo Guanabara

Naíme Silva à frente da Marcha que percorreu as ruas de São Paulo desde a Câmara Municipal até o prédio onde está situada a sede da ONG É de Lei. Leia a matéria anterior que mostra o que ocorreu horas antes de as pessoas se reunirem para marchar, reivindicando o fim da proibição da maconha. 



Além de São Paulo, estavam programadas marchas em Porto Alegre e Recife, conforme informa o flyer do evento:


Essas duas manifestações não ocorreram.

sexta-feira, 6 de março de 2015

DEBATE PRÉVIO - MARCHA DA MACONHA SÃO PAULO, 7 DE MAIO DE 2005


Por Luiz Paulo Guanabara

Mesa no auditório externo da Câmara Municipal de São Paulo. Na foto podemos ver Maria Lucia Karam, com a palavra; Andrea Domanico, num bocejinho, o evento foi cedo; Deputado Estadual hoje Federal do PT, Paulo Teixeira; Edward MacRae do CETAD; e mais duas pessoas que não identifico agora, dois ativistas. Esta mesa antecedeu a marcha pela cidade, desde a Câmara até a sede da ONG É de Lei.




Uma linda manhã de maio, uma excelente localização para 
realizar o debate, mesmo para uma plateia pequena.

sábado, 17 de janeiro de 2015

CICLO DE DEBATES ANTIPROIBICIONISTAS - IBAM, Rio de Janeiro, Outubro de 2004

por Luiz Paulo Guanabara

O Folder Institucional que mostramos na matéria anterior foi lançado e distribuído durante o Ciclo de Debates da Psicotropicus realizado em quatro segundas-feiras de outubro de 2004. Abaixo a frente do flyer utilizado para divulgar o evento.

























quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Campanha "Dê uma Chance às Drogas" - Folder Institucional, 2004

por Luiz Paulo Guanabara

Quando o nosso projeto "Give Drugs a Chance" (Dê uma Chance às Drogas, uma alusão a Dê uma Chance à Paz, hino à paz de John Lennon) foi aprovado pela Tides Foundation em janeiro de 2004, a ONG ainda não estava com a burocracia toda no lugar. Foi uma correria até receber o dinheiro e fazer o câmbio.

Um dos produtos do projeto foi o folder institucional abaixo:

A Capa reproduz a definição de "antiproibicionismo" dos dois primeiros folders, já publicados para referência ao relato sobre como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento internacional pela reforma da política de drogas. Você pode acompanhar em tempo real as referências visuais desse relato sendo mostradas aqui.

Pedíamos a reforma da política de drogas brasileira e das convenções proibicionistas da ONU.

























segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

SAINDO DAS SOMBRAS - Dando um Fim à Proibição de Drogas no Sec. XXI

por Luiz Paulo Guanabara

VIDEOS DA CONFERÊNCIA OUT FROM THE SHADOWS - Ending Drug Prohibition in the 21st Century (SAINDO DAS SOMBRAS - Dando um Fim à Proibição de Drogas no Sec. XXI)

Clique para acessar a página da conferência onde estão as entrevistas. View or listen to Eclectech video or audio para os vídeos. Radio Radicale também para os vídeos (é necessário o plug in do Windows Media Player).

Esta conferência de política de drogas é considerada por muitos ativistas uma das mais importantes realizadas neste século, reunindo os principais atores e pondo em ação o movimento antiproibicionista latino-americano.

Mérida, México, fevereiro de 2003

A Psicotropicus foi publicamente anunciada pela primeira vez na abertura da conferência “Saindo das Sombras: Dando um Fim à Proibição no Século XXI”, ocorrida entre os dias 12 e 15 de fevereiro de 2003, na Universidade Autônoma de Yucatã, em Mérida, México. Esta apresentação foi feita na abertura do evento.

Ao chegar em Mérida, encontrei um cenário de desorganização na véspera da conferência e me juntei aos organizadores para trabalhar, aceitando me tornar MC (moderador) da conferência. Depois de minha apresentação, chamei o chefe do departamento de antropologia da universidade para dar sequência à programação. Eis o que foi dito:

Texto de boas vindas do MC Luiz Paulo Guanabara, fundador da Psicotropicus 
(traduzido do inglês)

Buenos días, good morning, bom dia

Meu nome é Luiz Paulo Guanabara e sou da Psicotropicus, um novo grupo antiproibicionista trabalhando por uma nova política de drogas no Brasil. Estamos mudando as atuais leis repressivas e punitivas que regulam a matéria, que estão gerando essa violência insuportável nas principais cidades de todo o país. Essas leis estão impedindo o desenvolvimento de programas eficientes de educação, pesquisa e tratamento no campo das drogas, e isso não é nada bom.

É um grande prazer estar aqui com vocês nessa conferência histórica. Como a maioria de vocês, também tenho como objetivo dar um basta à proibição das drogas. Provavelmente muitos de nós consideram essa proibição um dos feitos mais grosseiros da ignorância humana.

Quero agradecer à Drug Reform Coordination Network, em particular a David Borden, David Guard e Phil Smith. Também quero agradecer a Vallery por seu trabalho na produção deste evento, e a Narco News, Al Giordano, Luis Gómez e todos os professores e estudantes da Escola de Jornalismo Autêntico.

Teatro Felipe Carrillo Puerto, Universidade Autônoma de Iucatã.

Mérida, México, 13 de fevereiro de 2003.

OBS: esta matéria contém novas referências ao relato de como a Psicotropicus inseriu o Brasil no Movimento Internacional pela Reforma da Política de Drogas - ou Movimento Antiproibicionista.

publicado neste Blog por Luiz Paulo Guanabara


sábado, 27 de dezembro de 2014

Primeiro Manifesto da ONG - ALTERNATIVAS AO FRACASSO DAS POLÍTICAS DE DROGAS

por Luiz Paulo Guanabara

Lançamos o primeiro website de política de drogas em maio-junho de 2004. O link na Home Page era "Razões para um Movimento Antiproibicionista" e trazia o texto abaixo. Procurei alterar o mínimo, este é praticamente o mesmo texto do arquivo original de novembro de 2004. Sendo de novembro, é um texto que sofreu uma ou mais edições a partir do original de seis meses antes. 

Nessa época, a lei de drogas vigente era a de 1973, que penalizava o usuário com cadeia, embora, devido ao tempo de 2 anos de condenação ao indivíduo pego em flagrante com posse de drogas ilícitas, este não estava sujeito a esta pena, por conta de outra lei que regulamentava esses crimes de baixo poder ofensivo e excluía de prisão crimes cuja pena era de dois anos ou menos.

MOVIMENTO ANTIPROIBICIONISTA

ALTERNATIVAS AO FRACASSO DAS POLÍTICAS DE DROGAS 
Primeiro Comunicado

O Proibicionismo veio sendo adotado no Brasil ao longo do século XX, a reboque do sonho - ou pesadelo - de um mundo livre de drogas. Quando no início dos anos 1970 o presidente Nixon declarou "Guerra às Drogas", não sabemos se tinha a pretensão de obter o controle das drogas que tinham sido proibidas. Afinal, é tanto dinheiro que faz qualquer governante sonhar com aquela fonte de riquezas para o seu país. Ou se sua intenção era banir da face da terra o cultivo das plantas proibidas, a produção de seus derivados e de drogas psicoativas sintéticas, porque isso lhe renderia dividendos políticos do tipo “duro e bravo combatente das drogas” (proibidas por seu governo).

As bebidas alcoólicas já tinham sido alvo do Proibicionismo nos Estados Unidos, nos anos 1920. E como ocorreu naquela década, naquele país, o que ocorre hoje no mundo todo é a mesma criminalização, só que de outros produtos psicoativos, para os quais também existe demanda da população. Essa criminalização contribui para intensificar graves problemas que permeiam o nosso cotidiano: 

- violência, corrupção
- exclusão, estigmatização, preconceito - em detrimento da saúde 
- injustiça social - o sujeito além de nascer em condições sociais extremamente adversas ainda por cima vai parar numa instituição ou numa prisão lotada e fedida, um pé de chinelo fichado como traficante. São esses os "traficantes" que entopem as cadeias brasileiras.
            - educação e prevenção de qualidade duvidosa e tratamento muitas vezes degradante, com contenções criminosas e cárcere privado - como na Clínica Jorge Jaber, em Vargem Pequena, Rio de Janeiro ou na Clínica Jelinek de Porto Alegre, que foi fechada quando se descobriu o que acontecia lá dentro.
- impureza das drogas proibidas, que podem causar mais danos devido à adulteração do que a substância em si jamais poderia causar.
- desastrosa e criminosa erradicação de plantios de cannabis e de coca - rios de dinheiro jogados fora nesse empreendimento que há muito se mostrou um dispendioso fracasso.

O que é preciso fazer?

As pessoas precisam se conscientizar das conseqüências da Proibição de Drogas, compreender que este é o X do problema, e que não é justo levar o usuário diante do tribunal da inquisição e depois mandá-lo para a fogueira, ou melhor, para a prisão.

Inquisição e Proibição: a mesma matriz da ignorância humana. Necessitamos de uma política de drogas independente da nefasta, dispendiosa e fracassada Guerra às Drogas liderada pelos Estados Unidos. Uma guerra que muito convém a fabricantes de armas e que oculta a base militar que os americanos estão estabelecendo na Amazônia colombiana. Primeiro foi o Plano Colômbia, depois o Pacto Andino: são milhares de militares estadunidenses armados até os dentes circulando na região, fomentando a complexa guerra civil colombiana em nome da Guerra às Drogas. E patrocinando fumigações criminosas sobre as plantações de coca, na Amazônia colombiana, em locais que podem resultar em consequências negativas para o meio-ambiente na ampla fronteira com o Brasil. Os jornais brasileiros deveriam noticiar este conflito diariamente. O Brasil precisa ajudar o povo colombiano em sua luta para cessar as criminosas fumigações.

Para mudar isso é preciso uma nova atitude frente às substâncias proibidas e coragem para experimentar novos caminhos. Chega de insistir numa política que reproduz ano após ano o seu fracasso, como demonstrado pela intensificação do crime, da corrupção e da violência associados à economia das drogas. Quem é capaz de desmentir isso? Quem é capaz de desmentir que, além disso, essa política tem resultado no contínuo aumento da oferta e da demanda por esses produtos? Temos de redirecionar o mais rapidamente possível os recursos nessa área da esfera militar e jurídico-policial para o campo da saúde e educação públicas.

Não devemos nos esquecer também de que a primeira baixa de toda guerra é a informação, e com a Guerra às Drogas não é diferente. A população tem sido constantemente enganada pelas crendices que cercam o assunto, suposições sem qualquer fundamento científico, mentiras irresponsavelmente reproduzidas pela mídia que trata o assunto com sensacionalismo.

Quem apóia a Proibição de Drogas sustenta a violência e o consumo desenfreados gerados por essa política fracassada

A indústria da repressão às drogas só tem contribuído para aumentar o descontrole da circulação de drogas ilícitas e a violência. Apesar do fracasso, a estrutura institucional jurídico-policial e toda a sua burocracia não querem largar o osso. O fim do tráfico de drogas significaria o fim dessa lucrativa fonte de renda. Eles se beneficiam desse tráfico, precisam dele para lucrar em cima da tragédia decorrente da política proibicionista com combate armado às drogas e do uso disfuncional ou problemático dessas drogas. Medidas que visem a mudar esse quadro, esse status quo, mesmo que sejam para o benefício de toda a população - e reduzam a violência e a oferta e consumo de drogas - não interessam às forças repressivas policiais, jurídicas e/ou militares. Nem ao tráfico. Dois lados da mesma moeda.

Somos favoráveis à imediata e total descriminalização do uso de drogas e imediata e controlada legalização da cannabis. 


Basta de Guerra às Drogas! Por uma sociedade livre da ignorância das drogas. 

publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Segundo Folder da Psicotropicus, fevereiro de 2004

 por Luiz Paulo Guanabara

Este segundo folder remove as rubricas do primeiro e mantém duas acepções para o verbete "antiproibicionismo"

 O texto fala do princípio de lesividade do direito penal que se levado a sério tornaria inconstitucional a criminalização de pessoas que usam drogas cuja venda é proibida. Essa relatividade legislativa põe em cheque a noção de justiça como uma meta nobre a ser alcançada, deixando aberta a porta para a falta de ética no manejo das questões judiciais. Sem falar na falta de bom senso e da falta de discernimento sobre a inexistência de crime em uma pessoa que carrega consigo uma quantidade de maconha ou cocaína ou cristais de MDMA (ecstasy), ou qualquer outra droga, que mostram como questões referentes à produção, comércio e uso de drogas nunca deveriam ser tratadas no âmbito da justiça criminal e da polícia.

Este folder e o anterior, do qual este se pretendeu seu aperfeiçoamento, foram montados para caber numa folha A4, fotocopiados e dobrados ao meio.


























É óbvio que as drogas devem ser controladas, vc não quer que as pessoas tomem pílulas ou cheirem pós que vão deixá-las mal. Vc não quer ver seus amigos passando mal na noite ou vomitando na rua. Como não quer ver as drogas controladas por criminosos que, pelo lucro maior, não se incomodarão com a qualidade e segurança ao consumidor do produto. O governo tem de querer controlar as drogas e encontrar com a sociedade civil um meio de fazer isso.

Sobre drogas reguladas, difícil discordar da necessidade de estabelecer regras que permitam resolver o que a ONU chama de "problema mundial das drogas". A sociedade deseja estabelecer um convívio harmonioso entre os indivíduos e as drogas, já que estas sempre existiram e sempre existirão.

Aos poucos as mensagens contidas neste folder e no anterior começaram a ganhar espaço na sociedade, as pessoas começaram a debater e o tabu das drogas começou a deixar entrever pelo seu véu. Mais pessoas começavam a enxergar a óbvia falta de bom senso em interferir no comércio de determinadas plantas e drogas, produtos que as pessoas desejavam adquirir e continuarão adquirindo, independente de haver leis e proibições.

A terceira frase reflete uma preocupação que tínhamos à época, o recrudescimento exponencial da violência decorrente do combate à droga como motor da mudança, da legalização das drogas.



























Ignorância em política de drogas: tanto a direita quanto a esquerda são proibicionistas.
























FOLDER EM INGLÊS

1st page
























2nd page
























4th page
























Below the third page of the folder, a wonderful version of the poem that is also the lyrics of the Hip Hop song "Um Tiro na Tela", part of the soundtrack of the soap opera "Guerra sem Fim",  TV Manchete, 1984. The RAP was composed by Luiz Paulo Guanabara. The version was created by Phil Smith (stopthedrugwar.com).

A SHOT ON THE SCREEN 
                                            (Luiz Paulo Guanabara)


Feeling tweaked, moving twitchy                              Hired guns in hiding riding flashy fancy cars
Walking right through this fucking big city              Apocalyptic hell burning ever more bizarre
Gangs war, civil war                                                   Red Command, Third Command
Snitching narcs, harmless heads,                              AKs and Uzis, its killing they demand!
              this is Brazil
                         *                                                                                              *
The fucked over people, the kid left behind            The menaced families, the gang on the beat
The dope market open non-stop day and night      Thugs flash their badges as conspiracies meet
The poor are scared while the rich                           Now the poor guy on the street doesn't have
                      hide confined                                                                a thing to eat
Merciless butchery, insidious kidnapping               And the rich one full of fear doesn’t go out 
                                                                                                              for a beer 
                        *                                                                                                *
Crooked bunch of cops, pushers and privilege      Beggars and whores, transvestites and bums
The savagery goes on 24-7                                       Military thugs disposing of the scum
The MPs just heard it again on the radio                 Cocaine and heroine they're selling retail
Intense firefight, run for your life                              Here comes the squad car, it's just for sale
                          *                                                                                               *
Shacks on the hill, jumbled jungles of stones        Stress too intense, nerves seems so shaky
The air is thick in the alleys and streets                  The mob plans it all every detail makes it
Borel, Acari, hundreds of slums                               Striking colors in this stumbling world
Sirens, red lights, it’s the Federal scum                  A shot on the screen a bullet in reality

                                  A shot on the screen
                       A bullet in reality


OBS: esta matéria contém novas referências ao relato sobre como a Psicotropicus inseriu o Brasil no Movimento Internacional pela Reforma da Política de Drogas - ou Movimento Antiproibicionista.

publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara


sábado, 6 de dezembro de 2014

Primeiro Folder da Psicotropicus, setembro de 2003

Pela primeira vez na rede, o Primeiro Folder da Psicotropicus, lançado durante o I Seminário Nacional sobre Direitos do Usuário de Drogas, realizado pela ABORDA e parceiros na UERJ, setembro de 2003

por Luiz Paulo Guanabara

INTRODUÇÃO


Cada uma das quatro páginas foi criada separadamente e depois colada para formar um modelo, do qual foram feitas centenas de cópias eletrônicas distribuídas durante o seminário. O folder foi vertido para o inglês e centenas de cópias eletrônicas foram distribuídas durante a conferência da Drug Police Alliance, em Nova Jersey, outubro-novembro de 2003. O difícil nessa versão em inglês foi fazer a tradução do RAP "Um Tiro na Tela", composição de minha autoria que faz parte da trilha sonora da novela "Guerra sem Fim", da extinta TV Manchete.

Na primeira página do folder, o verbete "antiproibicionismo" que não existia, com duas acepções e duas rubricas, referentes a aspectos da política proibicionista. A mensagem como um todo tem um caráter explicitamente favorável à legalização de todas as drogas e plantas atualmente proibidas. 

FOLDER

1a página: 1o logo (republicaremos)


antiproibicionismo

■ substantivo masculino 

1 doutrina que advoga que não é papel do Estado vigiar o que as pessoas fazem ao próprio corpo, muito menos puni-las por isso 

2 Rubrica: transtorno social.
compreensão de que a intromissão do Estado em determinadas áreas da vida pessoal e econômica dos cidadãos é um desrespeito aos direitos humanos e liberdades civis

3 doutrina que advoga a descriminalização do uso de plantas e drogas tornadas proibidas e a sua legalização 

4 Rubrica: política fracassada.
compreensão de que a proibição de determinados produtos desejados pela população promove uma economia marginal que corrompe os mais diversos setores da sociedade, gera mais violência e aumenta a oferta e a demanda por esses produtos


2a página

 Alternativas ao Fracasso das Políticas de Drogas

O Estado exerce hoje o proibicionismo por meio de um suposto controle da produção, venda e consumo de determinadas plantas e substâncias psicotrópicas,chamadas genericamente de a droga: cannabis, cocaína, ópio, metanfetaminas, entre muitas outras. As bebidas alcoólicas também já foram alvo doproibicionismo nos Estados Unidos, durante os anos 20. E como ocorreu naquela década, também hoje o que ocorre é um total e vergonhoso des-controle, cujos problemas permeiam nosso cotidiano:

- violência, corrupção, lavagem de dinheiro
- exclusão, estigmatização, preconceito
- repressão, punições descabidas
- tratamento e educação de qualidade duvidosa
- impureza das substâncias proibidas
- desastrosa erradicação de plantios

O consumo de drogas em si mesmo não fere os direitos dos outros, e um Estado democrático, pluralista, não tem como justificar a proibição de drogas. 

3a página

                                       UM TIRO NA TELA
                                            (Luiz Paulo Guanabara)

Emoção intensa ritmo acelerado              Carros importados assassinos de aluguel
Na grande metrópole andando                  Inferno apocalipse um imenso fogaréu
             apressado                                       Comando Patrulha Comando Pirata
Guerra de gangues guerra civil                Fuzis metralhadoras a ordem é matar!
X-9 sinistro sangue bom é Brasil                  
                         *                                                                      *
O povo aflito o menor abandonado           Família ameaçada a quadrilha no covil
O tráfico favela rola solto escancarado         Tramas que se cruzam e os 
O pobre amedrontado o rico acuado                          bandidos da Civil 
Chacina sem piedade, seqüestro                  O rico isolado já não sabe o que fazer
                  na maldade                          O pobre apavorado já não tem o que comer
                                                                                   
                        *                                                                         *
Policiais bandidos traficantes regalias   Mendigos prostitutas travestis e vadiagem
A selvageria prossegue noite e dia        Bandidos Militar desovando malandragem 
PMs receberam informação pelo rádio       A droga rola solta cocaína heroína
Intenso tiroteio salve-se quem puder       Lá vem a viatura o dinheiro vai comprar
                          *                                                                      *
Selvas de pedra barracos no morro             Nervos abalados estresse acentuado
O clima está tenso nas vielas e ruas           Tudo planejado no crime organizado
Borel Acari Vigário Geral                               Cores berrantes desse mundo errante
Sirene luz vermelha bandidos Federal         Um tiro na tela um furo na realidade

              Um tiro na tela
               Um furo na realidade

A versão para inglês do RAP, na terceira página do folder, foi feita pelo jornalista americano Phil Smith, da antiga Drug Policy Reform Network (DRCNet), hoje stopthedrugwar.com. Ela foi feita a partir de uma versão minha da letra para o inglês, explicitando as gírias. 



4a página

O que é preciso fazer

É preciso que as pessoas se conscientizem das consequências da proibição de drogas. Necessitamos de uma política de drogas independente dos Estados Unidos e de sua nefasta Guerra às Drogas.

É preciso uma nova atitude frente às drogas e ter a coragem de experimentar novos caminhos. Chega de insistir numa política cujo custo-benefício é sempre negativo - como demonstram a intensificação do crime, da corrupção e da violência associados ao uso e comércio de drogas ilícitas,assim como o aumento da oferta e da demanda de drogas. Temos de redirecionar da esfera militar e jurídico-policial para o campo da saúde e educação públicas os recursos utilizados para o des-controle das drogas. 

Pedimos a imediata e total descriminalização do uso de drogas, a imediata e controlada legalização da cannabis. Pedimos também a progressiva e controlada legalização de todas as plantas e drogas atualmente proibidas. 

Você é a favor da Proibição de Drogas? O tráfico é.

Junte-se à Psicotropicus

end: Rua General Justo 275/316-B
         20.021-130, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
tel: (55-21) 22404293
fax: (55-21) 22404377

email: tropicus@mtec.com.br


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OBS: A pergunta e resposta a seguir foram criadas para tentar fazer as pessoas refletirem sobre como a proibição de drogas que apoiam é também apoiada pelo tráfico. Ou seja, você e o tráfico apoiam a proibição, estão do mesmo lado.

"Você é a Favor da Proibição de Drogas? O Tráfico é." 

A pergunta e resposta foram depois modificadas, e se tornaram um dos lemas das marchas da maconha: 

"O tráfico é contra a legalização da maconha. E você?"  


publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara