Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas

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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Edward MacRae fala sobre a política de guerra às drogas na Bahia

Na nossa passagem por Salvador para promover o lançamento da Rede Latino-Americana de Pessoas que Usam Drogas aproveitamos para conversar com o o antropólogo Edward MacRae, presidente da ABESUP, sobre a política de guerra às drogas na capital baiana.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

'Europa e EUA fazem acomodações, não soluções', diz FHC sobre drogas

Fonte: Terra

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que as políticas implementadas pelos Estados Unidos e por países da Europa em relação às drogas são acomodações, e não soluções. Ele também crítica os resultados alcançados no combate ao narcotráfico durante o regime mexicano de Felipe Calderón. "É uma guerra".

Em entrevista exclusiva ao Terra, FHC falou sobre as políticas que o Brasil deve implementar para a questão e reconheceu resultados positivos alcançados pelo Estado do Rio de Janeiro na pacificação das favelas da capital fluminense. No entanto, o ex-presidente alertou que, juntamente com a ocupação, é preciso 'ação social continuada' para sufocar o consumo das drogas.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A Droga da TV

O terrorismo midiático é quase uma regra quando o assunto é maconha. Em reportagem recente, o SBT Brasil relatou com um alarmismo pavoroso o consumo de maconha na região do Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo.

A reportagem tratou a repressão policial como uma ação de "limpeza" do Centro da capital, banalizou aspectos culturais do uso da maconha, além de tratar os usuários como criminosos e doentes de uma forma generalista. Desta forma, o SBT alimentou a tese simplista e preconceituosa de tratar as drogas como uma questão policial e classificar os usuários como pessoas de um “submundo”.

“Em relação às grandes emissoras de TV, rádio e jornais do Rio, é a rede Globo a que mantem uma postura mais aberta ao debate, sem aquela sanha condenatória aos usuários de drogas e mistificação dos pés-rapados travestidos de traficantes, como a velhinha do crack, na absurda e insensível descrição de um jornalismo que não entende absolutamente nada da realidade do mundo das drogas ilegais. Além da insana ode aos policiais que entram atirando nas favelas, mandando bala no seu próprio povo, a política de confrontação e violência gerando audiência e vendendo jornais na patrulha da cidade transmitida em programas de baixo espetáculo.

 

Veja o vídeo cima: olha como manipulam a emoção do espectador no uso da palavra droga como a encarnação de um abstrato demônio com que fisgam a sua atenção e paralisam seu raciocínio. Não é maconha. É DROGA! Não é cocaína. É DROGA! Não é crack. É DROGA! O problema é que também não é cerveja. É DROGA! Não é whisky. É DROGA! Não é calmante. É DROGA! Não é cigarro. É DROGA!

E a verdade é que não é droga, é maconha; não é droga, é vodka; não é droga, é cigarro; não é droga, é cocaína. Essa cantilena de exaltação a uma abstrata droga incorporada de coisas que só podem ser ruins, maléficas, perniciosas à saúde serve somente para implantar o engodo do medo a substâncias inertes, fomentando uma cultura de intolerância e preconceito que serve ao interesse dos pequenos grupos que se beneficiam da proibição, especialmente o tráfico, a polícia corrupta e o sensacionalismo do barato que vende notícias. É o "Barato do Uruguai" da revista de domingo do jornal O Globo, matéria que apesar do uso no título desse sensacionalismo de que falamos acima, expõe com isenção a proposta do seu presidente José Mujica”, avalia Luiz Paulo Guanabara, diretor-executivo da Psicotropicus.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Manifesto do Conselho Federal de Serviço Social contra a Guerra às Drogas

“No Dia Internacional de Combate às Drogas, nós, assistentes sociais, temos que nos manifestar contra o discurso dominante e falacioso da “guerra às drogas”, pois temos autoridade, pelo conhecimento crítico da realidade social e institucional consolidada em nosso trabalho cotidiano, para afirmar que o aumento do consumo de drogas, e todas as formas de violência vinculadas à ilegalidade de algumas drogas, podem ser enfrentados de forma justa e democrática com a universalização do acesso e com a melhoria da qualidade das políticas sociais”

Com este trecho não fica difícil descobrir qual é a posição do Conselho Federal de Serviço Social sobre a política proibicionista de drogas. No manifesto de duas páginas o Conselho ainda critica o avanço modesto da lei 11.343/06 e a arbitrariedade das forças de seguranças nas cracolândias do Rio de Janeiro e São Paulo.

Vale destacar que o documento foi divulgado no dia 26 de junho, o Dia Mundial de Combate as Drogas. Clique aqui para ler!

domingo, 1 de abril de 2012

Apoio ao Pronunciamiento hacia la VI Cumbre de las Américas

Apoio ao Pronunciamiento hacia la VI Cumbre de las Américas
Por Luiz Paulo Guanabara

O Centro Brasileiro de Política de Drogas - Psicotropicus apoia em sua totalidade a reivindicação pela redução da violência contra as mulheres feita pela Articulación Regional Feminista por los Derechos Humanos y la Justicia de Género. Mais uma agenda que trata de questões sociais onde a política de drogas vigente está presente. O proibicionismo não presta pra nada mesmo, a não ser alimentar um grupo de delinquentes muitas vezes instalado nas secretarias de segurança dos governos. O proibicionismo destroi o meio-ambiente, alimenta o crime organizado, ajuda a financiar outros crimes, como terrorismo, trafico de pessoas e toda a série de insanidades criminosas derivadas do DNA corrompido de um tipo humano muito poderoso, mas extremamente corrupto e nocivo.

Uma política que enfraquece e violenta a mulher, certamente podemos dizer que uma das razões para a existência da Psicotropicus é combater uma política dessa. E mais uma vez nos deparamos com os distúrbios causados pela política de drogas vigente, essa política que o governo brasileiro apoia por falta de vergonha na cara: porque são os países latino-americanos os que mais se fodem com a política de drogas imposta - independente de se o país quer ou não - pelo governo estadunidense.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SOBRE A POLÊMICA A RESPEITO DO FEMINISMO NA MARCHA DA MACONHA POR CAUSA DO CALENDÁRIO COM MULHERES DESPIDAS PARA ARRECADAR FUNDOS PARA PRODUÇÃO DO EVENTO

Thiago Alexandre Moraes escreveu (em seguida, abaixo, reflexões sobre o assunto):

Olá a todas e todos,

Faltam poucos meses para Maio e, no Brasil, várias cidades estão
trabalhando com toda energia para organizar as edições brasileiras da
Marcha da Maconha. De norte ao sul do país, são variadas as experiências,
dinâmicas de funcionamento, opiniões e visões de mundo - ainda assim, a
necessidade de discutir e debater as políticas proibicionistas em torno da
maconha, torna estes vários coletivos em um grande organismo político que
tem tido sucesso em pautar a questão das drogas na sociedade brasileira.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Nota de repúdio à política de “dor e sofrimento” na cracolândia

O Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade representativa dos estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP), vem a público manifestar repúdio ao Plano de Ação Integrada Centro Legal, iniciado em 03 de janeiro de 2012 na Cracolândia, região central de São Paulo.

O plano é errado tanto na sua concepção, quanto no modo como é executado. Esse projeto envolve a ação da Polícia Militar na região, buscando inibir o tráfico de drogas e dispersar os seus usuários, que também seriam impedidos de se fixar em outros locais. A denominada “política de dor e sofrimento” visa provocar abstinência nos usuários de crack, a partir da qual, em visão equivocada, eles buscariam tratamento junto ao Poder Público.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Invasão da Rocinha

por Luiz Paulo Guanabara

Sendo a venda de drogas um crime cuja natureza é questionável, os meios de comunicação não deveriam incentivar para os próximos dias ações truculentas na favela em busca de “bandidos” escondidos. Será que a mídia dá as ordens realmente na política de segurança do Rio, como me disse há pouco tempo um coronel da Polícia Militar? Não sei se acredito nisso, mas é óbvio o poder da mídia em meio a isso tudo - o que implica responsabilidade nesse conflito em que morre muita gente, muitos inocentes. Já não basta a instalação por prazo indefinido desses batalhões de soldados de futuro incerto, que eventualmente podem vir a se tornar criminosos milicianos? Mudou quem dá as ordens, mas a opressão continua, pois antes de tudo a polícia do Rio é uma polícia violenta, com um poder enorme que utiliza na base da ignorância. Muitas vezes são uns covardes que descontam nos mais fracos, selvagens valentões. A imagem da polícia é amedrontadora principalmente para quem mora na Rocinha, onde durante décadas testemunharam constantes abusos policiais fartamente noticiados. Os “treinados para matar e torturar” não deveriam ser incentivados a baixar mais terror na Rocinha nessa hora particular e delicada. “Dá um tempo, deixa o povo respirar.” Provavelmente muitos desses bandidos que vão ser procurados na Rocinha não passam de jovens cooptados para um negócio que surge exatamente com sua criminalização, jovens em situação social de grande falta de perspectiva de trabalho e de tudo o mais. Uma justiça sensata não deveria levar em conta esses fatores? Bem, justiça e bom senso parecem não se dar bem no Brasil.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Artigo: Pondo fim à inútil “guerra às drogas”

Fernando Henrique Cardoso*

O Proibicionismo falhou e precisamos redirecionar nossos esforços para os danos causados pelas drogas e para a redução do consumo.

fhc2 A “guerra às drogas” é uma guerra perdida e 2011 é o momento para se afastar das estratégias punitivas e buscar novos marcos nas políticas públicas, baseados na saúde pública, direitos humanos e no senso comum. Estas foram as conclusões centrais da Comissão Latino Americana sobre Drogas e Democracia, que eu formei juntamente com os ex-presidentes Ernesto Zedillo, do México, e Cesar Gaviria, da Colombia.

Nós nos tornamos envolvidos com essa questão por um motivo mobilizante: a violência e a corrupção associadas com o tráfico de drogas representam uma ameaça grande para a democracia em nossa região. Esse sentimento de urgência nos fez avaliar as políticas atuais e procurar por alternativas viáveis. As evidências são avaçaladoras. As estratégias proibicionistas, baseadas em repressão da produção e criminalização do consumo, falharam claramente.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mudança de rota

Julita Lemgruber*

O novo ministro da Justiça começa bem, trazendo a responsabilidade sobre a questão das drogas para o Ministério da Justiça e tendo a coragem de afirmar que a sociedade brasileira precisa aprofundar a discussão sobre a liberação das drogas. Há muito ainda a fazer até que a questão das drogas seja encarada como problema de saúde pública e não de justiça criminal, mas podemos estar iniciando uma caminhada que poderá desaguar nessa transformação.

A José Eduardo Cardozo deve-se o mérito de perceber, neste momento, a importância de submeter a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) à sua autoridade e, mais ainda, de ter escolhido Pedro Abromovay, um civil, para conduzí-la. Aliás, a indicação de Regina Miki para a Secretaria Nacional de Segurança Pública é outra escolha que tem merecido o aplauso dos especialistas.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Liberdade para Cultivadores presos com 108 pés de Maconha - Mas e a Justiça?

O caso que dividiu opiniões até mesmo entre usuários enfim chegou ao que se pode considerar um "final feliz". Pai e filho foram presos com 108 pés de maconha no dia 21 de setembro, numa operação que mobilizou dezenas de homens de polícia Civil para que o prédio, localizado no Recreio dos Bandeirantes [RJ], fosse cercado e eles presos, acusados de traficarem a erva que plantavam. Não há provas do comércio, mas mesmo assim ambos permaneceram na cadeia até a noite do dia 16 de Dezembro.

Isso abre um precedente histórico na luta pela legalização da maconha no Brasil. No entanto, Francisco Aurélio de Souza Grossi, engenheiro ex-funcionário de uma multinacional e o jornalista Gustavo Grossi, tiveram suas vidas completamente expostas - e pior - de forma arbitrária, já que não haviam evidências concretas do tráfico de drogas. Atualmente os dois respondem por cultivo caseiro, ato despenalizado pela Lei 11.343 de 2006.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Os Caminhos para uma nova Lei de Drogas



Na linha de frente da política de drogas do governo Lula, o deputado Federal Paulo Teixeira (PT-SP), acredita que o caminho da Lei de Drogas brasileira está no caminho da total despenalização dos usuários de drogas e no fortalecimento das políticas de redução de danos. O deputado esteve presente na mesa que encerrou a II Conferencia Latino Americana e I Conferência Brasileira sobre Política de Drogas.
Para o deputado, a legislação brasileira é misto da repressão norte-americana com o modelo de despenalização de usuários adotado na Europa. Ele ainda citou o exemplo de descriminalização em Portugal como um caso de sucesso no mundo.

Na hora de analisar o sistema repressivo, Paulo Teixeira expôs de forma bem direta a fragilidade do sistema. Para ele “a legislação de droga prende apenas o trabalhador. Os financiadores e administradores deste mercado ainda permanecem intocáveis”, declarou.
Defensor da total despenalização do usuário de drogas, o Deputado admitiu que a lei 11.343/06 fracassou ao endurecer o tratamento policial para os traficantes de drogas.

Repressão com inteligência
Apresentando as políticas adotadas pelo governo uruguaio nos últimos anos Jorge Ruibal Pino, Ministro da Suprema Corte de Justiça, explicou a estratégia adotada para combater a raiz financeira do narcotráfico, ao confiscar algumas fortunas de traficantes.

De acordo com Jorge Ruibal, a Suprema Corte uruguaia promove encontros com agentes policiais. Segundo ele, as reuniões servem para a troca de experiências para a construção de um sistema judiciário mais humano.
Por uma legislação menos punitiva
A última mesa da conferencia também não poupou críticas para o caráter essencialmente repressivo da Lei de Drogas. Para a juíza argentina Mónica Cuñarro, todas as leis de drogas violam os direitos a dignidade dos indivíduos.  “Vale lembrar que a maioria dos países é signatário de tratados que obrigam o respeito total aos direitos humanos”, declarou.