por Luiz Paulo Guanabara
O Folder Institucional que mostramos na matéria anterior foi lançado e distribuído durante o Ciclo de Debates da Psicotropicus realizado em quatro segundas-feiras de outubro de 2004. Abaixo a frente do flyer utilizado para divulgar o evento.
Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas
sábado, 17 de janeiro de 2015
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Campanha "Dê uma Chance às Drogas" - Folder Institucional, 2004
por Luiz Paulo Guanabara
Quando o nosso projeto "Give Drugs a Chance" (Dê uma Chance às Drogas, uma alusão a Dê uma Chance à Paz, hino à paz de John Lennon) foi aprovado pela Tides Foundation em janeiro de 2004, a ONG ainda não estava com a burocracia toda no lugar. Foi uma correria até receber o dinheiro e fazer o câmbio.
Um dos produtos do projeto foi o folder institucional abaixo:
A Capa reproduz a definição de "antiproibicionismo" dos dois primeiros folders, já publicados para referência ao relato sobre como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento internacional pela reforma da política de drogas. Você pode acompanhar em tempo real as referências visuais desse relato sendo mostradas aqui.
Pedíamos a reforma da política de drogas brasileira e das convenções proibicionistas da ONU.
Quando o nosso projeto "Give Drugs a Chance" (Dê uma Chance às Drogas, uma alusão a Dê uma Chance à Paz, hino à paz de John Lennon) foi aprovado pela Tides Foundation em janeiro de 2004, a ONG ainda não estava com a burocracia toda no lugar. Foi uma correria até receber o dinheiro e fazer o câmbio.
Um dos produtos do projeto foi o folder institucional abaixo:
A Capa reproduz a definição de "antiproibicionismo" dos dois primeiros folders, já publicados para referência ao relato sobre como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento internacional pela reforma da política de drogas. Você pode acompanhar em tempo real as referências visuais desse relato sendo mostradas aqui.
Pedíamos a reforma da política de drogas brasileira e das convenções proibicionistas da ONU.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
SAINDO DAS SOMBRAS - Dando um Fim à Proibição de Drogas no Sec. XXI
por Luiz Paulo Guanabara
VIDEOS DA CONFERÊNCIA OUT FROM THE SHADOWS - Ending Drug Prohibition in the 21st Century (SAINDO DAS SOMBRAS - Dando um Fim à Proibição de Drogas no Sec. XXI)
Clique para acessar a página da conferência onde estão as entrevistas. View or listen to Eclectech video or audio para os vídeos. Radio Radicale também para os vídeos (é necessário o plug in do Windows Media Player).
Esta conferência de política de drogas é considerada por muitos ativistas uma das mais importantes realizadas neste século, reunindo os principais atores e pondo em ação o movimento antiproibicionista latino-americano.
Mérida, México, fevereiro de 2003
A Psicotropicus foi publicamente anunciada pela primeira vez na abertura da conferência “Saindo das Sombras: Dando um Fim à Proibição no Século XXI”, ocorrida entre os dias 12 e 15 de fevereiro de 2003, na Universidade Autônoma de Yucatã, em Mérida, México. Esta apresentação foi feita na abertura do evento.
Ao chegar em Mérida, encontrei um cenário de desorganização na véspera da conferência e me juntei aos organizadores para trabalhar, aceitando me tornar MC (moderador) da conferência. Depois de minha apresentação, chamei o chefe do departamento de antropologia da universidade para dar sequência à programação. Eis o que foi dito:
Buenos días, good morning, bom dia
VIDEOS DA CONFERÊNCIA OUT FROM THE SHADOWS - Ending Drug Prohibition in the 21st Century (SAINDO DAS SOMBRAS - Dando um Fim à Proibição de Drogas no Sec. XXI)
Clique para acessar a página da conferência onde estão as entrevistas. View or listen to Eclectech video or audio para os vídeos. Radio Radicale também para os vídeos (é necessário o plug in do Windows Media Player).
Esta conferência de política de drogas é considerada por muitos ativistas uma das mais importantes realizadas neste século, reunindo os principais atores e pondo em ação o movimento antiproibicionista latino-americano.
Mérida, México, fevereiro de 2003
A Psicotropicus foi publicamente anunciada pela primeira vez na abertura da conferência “Saindo das Sombras: Dando um Fim à Proibição no Século XXI”, ocorrida entre os dias 12 e 15 de fevereiro de 2003, na Universidade Autônoma de Yucatã, em Mérida, México. Esta apresentação foi feita na abertura do evento.
Ao chegar em Mérida, encontrei um cenário de desorganização na véspera da conferência e me juntei aos organizadores para trabalhar, aceitando me tornar MC (moderador) da conferência. Depois de minha apresentação, chamei o chefe do departamento de antropologia da universidade para dar sequência à programação. Eis o que foi dito:
Texto de boas vindas do MC Luiz Paulo Guanabara, fundador da Psicotropicus
(traduzido do inglês)
Buenos días, good morning, bom dia
Meu nome é Luiz Paulo Guanabara e sou da Psicotropicus, um
novo grupo antiproibicionista trabalhando por uma nova política de drogas no
Brasil. Estamos mudando as atuais leis repressivas e punitivas que regulam a
matéria, que estão gerando essa violência insuportável nas principais cidades
de todo o país. Essas leis estão impedindo o desenvolvimento de programas
eficientes de educação, pesquisa e tratamento no campo das drogas, e isso não é
nada bom.
É um grande prazer estar aqui com vocês nessa conferência
histórica. Como a maioria de vocês, também tenho como objetivo dar um basta à
proibição das drogas. Provavelmente muitos de nós consideram essa proibição um
dos feitos mais grosseiros da ignorância humana.
Quero agradecer à Drug Reform Coordination Network, em
particular a David Borden, David Guard e Phil Smith. Também quero agradecer a
Vallery por seu trabalho na produção deste evento, e a Narco News, Al Giordano,
Luis Gómez e todos os professores e estudantes da Escola de Jornalismo
Autêntico.
Teatro Felipe Carrillo Puerto, Universidade Autônoma de
Iucatã.
Mérida, México, 13 de fevereiro de 2003.
OBS: esta matéria contém novas referências ao relato de como a Psicotropicus inseriu o Brasil no Movimento Internacional pela Reforma da Política de Drogas - ou Movimento Antiproibicionista.
publicado neste Blog por Luiz Paulo Guanabara
OBS: esta matéria contém novas referências ao relato de como a Psicotropicus inseriu o Brasil no Movimento Internacional pela Reforma da Política de Drogas - ou Movimento Antiproibicionista.
publicado neste Blog por Luiz Paulo Guanabara
sábado, 27 de dezembro de 2014
Primeiro Manifesto da ONG - ALTERNATIVAS AO FRACASSO DAS POLÍTICAS DE DROGAS
por Luiz Paulo Guanabara
Lançamos o primeiro website de política de drogas em maio-junho de 2004. O link na Home Page era "Razões para um Movimento Antiproibicionista" e trazia o texto abaixo. Procurei alterar o mínimo, este é praticamente o mesmo texto do arquivo original de novembro de 2004. Sendo de novembro, é um texto que sofreu uma ou mais edições a partir do original de seis meses antes.
Nessa época, a lei de drogas vigente era a de 1973, que penalizava o usuário com cadeia, embora, devido ao tempo de 2 anos de condenação ao indivíduo pego em flagrante com posse de drogas ilícitas, este não estava sujeito a esta pena, por conta de outra lei que regulamentava esses crimes de baixo poder ofensivo e excluía de prisão crimes cuja pena era de dois anos ou menos.
MOVIMENTO ANTIPROIBICIONISTA
ALTERNATIVAS AO FRACASSO DAS
POLÍTICAS DE DROGAS
Primeiro Comunicado
O Proibicionismo veio sendo adotado no Brasil ao longo do
século XX, a reboque do sonho - ou pesadelo - de um mundo livre de drogas.
Quando no início dos anos 1970 o presidente Nixon declarou "Guerra às
Drogas", não sabemos se tinha a pretensão de obter o controle das
drogas que tinham sido proibidas. Afinal, é tanto dinheiro que
faz qualquer governante sonhar com aquela fonte de riquezas para o seu
país. Ou se sua intenção era banir da face da terra o cultivo das plantas
proibidas, a produção de seus derivados e de drogas psicoativas sintéticas,
porque isso lhe renderia dividendos políticos do tipo “duro e bravo combatente
das drogas” (proibidas por seu governo).
As bebidas alcoólicas já tinham sido alvo do Proibicionismo nos Estados Unidos, nos anos 1920. E como ocorreu naquela década, naquele país, o que ocorre hoje no mundo todo é a mesma criminalização, só que de outros produtos psicoativos, para os quais também existe demanda da população. Essa criminalização contribui para intensificar graves problemas que permeiam o nosso cotidiano:
- violência, corrupção
- exclusão, estigmatização, preconceito - em
detrimento da saúde
- injustiça social - o sujeito além de nascer em condições
sociais extremamente adversas ainda por cima vai parar numa instituição ou numa
prisão lotada e fedida, um pé de chinelo fichado como traficante. São
esses os "traficantes" que entopem as cadeias brasileiras.
- impureza das drogas proibidas, que podem causar
mais danos devido à adulteração do que a substância em si jamais poderia causar.
- desastrosa e criminosa
erradicação de plantios de cannabis e de coca - rios de dinheiro jogados
fora nesse empreendimento que há muito se mostrou um dispendioso fracasso.
O
que é preciso fazer?
As pessoas precisam se conscientizar das conseqüências da
Proibição de Drogas, compreender que este é o X do problema, e que não é justo
levar o usuário diante do tribunal da inquisição e depois mandá-lo para a
fogueira, ou melhor, para a prisão.
Inquisição e
Proibição: a mesma matriz da ignorância
humana. Necessitamos de uma política de drogas independente da nefasta,
dispendiosa e fracassada Guerra às Drogas liderada pelos Estados Unidos. Uma
guerra que muito convém a fabricantes de armas e que oculta a base militar que
os americanos estão estabelecendo na Amazônia colombiana. Primeiro foi o Plano
Colômbia, depois o Pacto Andino: são milhares de militares estadunidenses
armados até os dentes circulando na região, fomentando a complexa guerra civil
colombiana em nome da Guerra às Drogas. E patrocinando fumigações criminosas
sobre as plantações de coca, na Amazônia colombiana, em locais que podem
resultar em consequências negativas para o meio-ambiente na ampla fronteira com
o Brasil. Os jornais brasileiros deveriam noticiar este conflito diariamente. O
Brasil precisa ajudar o povo colombiano em sua luta para cessar as criminosas
fumigações.
Para mudar isso é preciso uma nova atitude frente às substâncias proibidas e coragem para experimentar novos caminhos. Chega de insistir numa política que reproduz ano após ano o seu fracasso, como demonstrado pela intensificação do crime, da corrupção e da violência associados à economia das drogas. Quem é capaz de desmentir isso? Quem é capaz de desmentir que, além disso, essa política tem resultado no contínuo aumento da oferta e da demanda por esses produtos? Temos de redirecionar o mais rapidamente possível os recursos nessa área da esfera militar e jurídico-policial para o campo da saúde e educação públicas.
Para mudar isso é preciso uma nova atitude frente às substâncias proibidas e coragem para experimentar novos caminhos. Chega de insistir numa política que reproduz ano após ano o seu fracasso, como demonstrado pela intensificação do crime, da corrupção e da violência associados à economia das drogas. Quem é capaz de desmentir isso? Quem é capaz de desmentir que, além disso, essa política tem resultado no contínuo aumento da oferta e da demanda por esses produtos? Temos de redirecionar o mais rapidamente possível os recursos nessa área da esfera militar e jurídico-policial para o campo da saúde e educação públicas.
Não devemos nos esquecer também de que a primeira baixa
de toda guerra é a informação, e com a Guerra às Drogas não é diferente. A
população tem sido constantemente enganada pelas crendices que cercam o
assunto, suposições sem qualquer fundamento científico, mentiras
irresponsavelmente reproduzidas pela mídia que trata o assunto com
sensacionalismo.
Quem
apóia a Proibição de Drogas sustenta a violência e o consumo desenfreados gerados
por essa política fracassada
A indústria da repressão às drogas só tem contribuído para aumentar o descontrole da circulação de drogas ilícitas e a violência. Apesar do fracasso, a estrutura institucional jurídico-policial e toda a sua burocracia não querem largar o osso. O fim do tráfico de drogas significaria o fim dessa lucrativa fonte de renda. Eles se beneficiam desse tráfico, precisam dele para lucrar em cima da tragédia decorrente da política proibicionista com combate armado às drogas e do uso disfuncional ou problemático dessas drogas. Medidas que visem a mudar esse quadro, esse status quo, mesmo que sejam para o benefício de toda a população - e reduzam a violência e a oferta e consumo de drogas - não interessam às forças repressivas policiais, jurídicas e/ou militares. Nem ao tráfico. Dois lados da mesma moeda.
A indústria da repressão às drogas só tem contribuído para aumentar o descontrole da circulação de drogas ilícitas e a violência. Apesar do fracasso, a estrutura institucional jurídico-policial e toda a sua burocracia não querem largar o osso. O fim do tráfico de drogas significaria o fim dessa lucrativa fonte de renda. Eles se beneficiam desse tráfico, precisam dele para lucrar em cima da tragédia decorrente da política proibicionista com combate armado às drogas e do uso disfuncional ou problemático dessas drogas. Medidas que visem a mudar esse quadro, esse status quo, mesmo que sejam para o benefício de toda a população - e reduzam a violência e a oferta e consumo de drogas - não interessam às forças repressivas policiais, jurídicas e/ou militares. Nem ao tráfico. Dois lados da mesma moeda.
Somos favoráveis à imediata e total
descriminalização do uso de drogas e imediata e controlada legalização da
cannabis.
Basta
de Guerra às Drogas! Por uma sociedade livre da ignorância das drogas.
publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Segundo Folder da Psicotropicus, fevereiro de 2004
por Luiz Paulo Guanabara
Este segundo folder remove as rubricas do primeiro e mantém duas acepções para o verbete "antiproibicionismo"
O texto fala do princípio de lesividade do direito penal que se levado a sério tornaria inconstitucional a criminalização de pessoas que usam drogas cuja venda é proibida. Essa relatividade legislativa põe em cheque a noção de justiça como uma meta nobre a ser alcançada, deixando aberta a porta para a falta de ética no manejo das questões judiciais. Sem falar na falta de bom senso e da falta de discernimento sobre a inexistência de crime em uma pessoa que carrega consigo uma quantidade de maconha ou cocaína ou cristais de MDMA (ecstasy), ou qualquer outra droga, que mostram como questões referentes à produção, comércio e uso de drogas nunca deveriam ser tratadas no âmbito da justiça criminal e da polícia.
Este folder e o anterior, do qual este se pretendeu seu aperfeiçoamento, foram montados para caber numa folha A4, fotocopiados e dobrados ao meio.
É óbvio que as drogas devem ser controladas, vc não quer que as pessoas tomem pílulas ou cheirem pós que vão deixá-las mal. Vc não quer ver seus amigos passando mal na noite ou vomitando na rua. Como não quer ver as drogas controladas por criminosos que, pelo lucro maior, não se incomodarão com a qualidade e segurança ao consumidor do produto. O governo tem de querer controlar as drogas e encontrar com a sociedade civil um meio de fazer isso.
Sobre drogas reguladas, difícil discordar da necessidade de estabelecer regras que permitam resolver o que a ONU chama de "problema mundial das drogas". A sociedade deseja estabelecer um convívio harmonioso entre os indivíduos e as drogas, já que estas sempre existiram e sempre existirão.
Aos poucos as mensagens contidas neste folder e no anterior começaram a ganhar espaço na sociedade, as pessoas começaram a debater e o tabu das drogas começou a deixar entrever pelo seu véu. Mais pessoas começavam a enxergar a óbvia falta de bom senso em interferir no comércio de determinadas plantas e drogas, produtos que as pessoas desejavam adquirir e continuarão adquirindo, independente de haver leis e proibições.
A terceira frase reflete uma preocupação que tínhamos à época, o recrudescimento exponencial da violência decorrente do combate à droga como motor da mudança, da legalização das drogas.
Ignorância em política de drogas: tanto a direita quanto a esquerda são proibicionistas.
FOLDER EM INGLÊS
1st page2nd page
4th page
Below the third page of the folder, a wonderful version of the poem that is also the lyrics of the Hip Hop song "Um Tiro na Tela", part of the soundtrack of the soap opera "Guerra sem Fim", TV Manchete, 1984. The RAP was composed by Luiz Paulo Guanabara. The version was created by Phil Smith (stopthedrugwar.com).
A SHOT ON THE SCREEN
(Luiz Paulo Guanabara)
Feeling tweaked, moving twitchy Hired guns in hiding riding flashy fancy cars
Walking right through this fucking big city Apocalyptic hell burning ever more bizarre
Gangs war, civil war Red Command, Third Command
Snitching narcs, harmless heads, AKs and Uzis, its killing they demand!
this is Brazil
* *
The fucked over people, the kid left behind The menaced families, the gang on the beat
The dope market open non-stop day and night Thugs flash their badges as conspiracies meet
The poor are scared while the rich Now the poor guy on the street doesn't have
hide confined a thing to eat
Merciless butchery, insidious kidnapping And the rich one full of fear doesn’t go out
for a beer
* *
Crooked bunch of cops, pushers and privilege Beggars and whores, transvestites and bums
The savagery goes on 24-7 Military thugs disposing of the scum
The MPs just heard it again on the radio Cocaine and heroine they're selling retail
Intense firefight, run for your life Here comes the squad car, it's just for sale
* *
Shacks on the hill, jumbled jungles of stones Stress too intense, nerves seems so shaky
The air is thick in the alleys and streets The mob plans it all every detail makes it
Borel, Acari, hundreds of slums Striking colors in this stumbling world
Sirens, red lights, it’s the Federal scum A shot on the screen a bullet in reality
A shot on the screen
A bullet in reality
OBS: esta matéria contém novas referências ao relato sobre como a Psicotropicus inseriu o Brasil no Movimento Internacional pela Reforma da Política de Drogas - ou Movimento Antiproibicionista.
publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara
sábado, 6 de dezembro de 2014
Primeiro Folder da Psicotropicus, setembro de 2003
Pela primeira vez na rede, o Primeiro Folder da Psicotropicus, lançado durante o I Seminário Nacional sobre Direitos do Usuário de Drogas, realizado pela ABORDA e parceiros na UERJ, setembro de 2003
por Luiz Paulo Guanabara
INTRODUÇÃO
Cada uma das quatro páginas foi criada separadamente e depois colada para formar um modelo, do qual foram feitas centenas de cópias eletrônicas distribuídas durante o seminário. O folder foi vertido para o inglês e centenas de cópias eletrônicas foram distribuídas durante a conferência da Drug Police Alliance, em Nova Jersey, outubro-novembro de 2003. O difícil nessa versão em inglês foi fazer a tradução do RAP "Um Tiro na Tela", composição de minha autoria que faz parte da trilha sonora da novela "Guerra sem Fim", da extinta TV Manchete.
Na primeira página do folder, o verbete "antiproibicionismo" que não existia, com duas acepções e duas rubricas, referentes a aspectos da política proibicionista. A mensagem como um todo tem um caráter explicitamente favorável à legalização de todas as drogas e plantas atualmente proibidas.
Na primeira página do folder, o verbete "antiproibicionismo" que não existia, com duas acepções e duas rubricas, referentes a aspectos da política proibicionista. A mensagem como um todo tem um caráter explicitamente favorável à legalização de todas as drogas e plantas atualmente proibidas.
FOLDER
1a página: 1o logo (republicaremos)

antiproibicionismo
■ substantivo masculino
1 doutrina que advoga que não é papel do Estado vigiar o que as pessoas fazem ao próprio corpo, muito menos puni-las por isso
2 Rubrica: transtorno social.
compreensão de que a intromissão do Estado em determinadas áreas da vida pessoal e econômica dos cidadãos é um desrespeito aos direitos humanos e liberdades civis
3 doutrina que advoga a descriminalização do uso de plantas e drogas tornadas proibidas e a sua legalização
4 Rubrica: política fracassada.
compreensão de que a proibição de determinados produtos desejados pela população promove uma economia marginal que corrompe os mais diversos setores da sociedade, gera mais violência e aumenta a oferta e a demanda por esses produtos
2a página
Alternativas ao Fracasso das Políticas de Drogas
2a página
Alternativas ao Fracasso das Políticas de Drogas
O Estado exerce hoje o proibicionismo por meio de um suposto controle da produção, venda e consumo de determinadas plantas e substâncias psicotrópicas,chamadas genericamente de a droga: cannabis, cocaína, ópio, metanfetaminas, entre muitas outras. As bebidas alcoólicas também já foram alvo doproibicionismo nos Estados Unidos, durante os anos 20. E como ocorreu naquela década, também hoje o que ocorre é um total e vergonhoso des-controle, cujos problemas permeiam nosso cotidiano:
- violência, corrupção, lavagem de dinheiro
- exclusão, estigmatização, preconceito
- repressão, punições descabidas
- tratamento e educação de qualidade duvidosa
- impureza das substâncias proibidas
- desastrosa erradicação de plantios
O consumo de drogas em si mesmo não fere os direitos dos outros, e um Estado democrático, pluralista, não tem como justificar a proibição de drogas.
O Estado exerce hoje o proibicionismo por meio de um suposto controle da produção, venda e consumo de determinadas plantas e substâncias psicotrópicas,chamadas genericamente de a droga: cannabis, cocaína, ópio, metanfetaminas, entre muitas outras. As bebidas alcoólicas também já foram alvo doproibicionismo nos Estados Unidos, durante os anos 20. E como ocorreu naquela década, também hoje o que ocorre é um total e vergonhoso des-controle, cujos problemas permeiam nosso cotidiano:
O consumo de drogas em si mesmo não fere os direitos dos outros, e um Estado democrático, pluralista, não tem como justificar a proibição de drogas.
3a página
UM TIRO NA TELA
(Luiz Paulo Guanabara)
Emoção intensa ritmo acelerado Carros importados assassinos de aluguel
Na grande metrópole andando Inferno apocalipse um imenso fogaréu
apressado Comando Patrulha Comando Pirata
Guerra de gangues guerra civil Fuzis metralhadoras a ordem é matar!
X-9 sinistro sangue bom é Brasil
* *
O povo aflito o menor abandonado Família ameaçada a quadrilha no covil
O tráfico favela rola solto escancarado Tramas que se cruzam e os
O pobre amedrontado o rico acuado bandidos da Civil
Chacina sem piedade, seqüestro O rico isolado já não sabe o que fazer
na maldade O pobre apavorado já não tem o que comer
* *
Policiais bandidos traficantes regalias Mendigos prostitutas travestis e vadiagem
A selvageria prossegue noite e dia Bandidos Militar desovando malandragem
PMs receberam informação pelo rádio A droga rola solta cocaína heroína
Intenso tiroteio salve-se quem puder Lá vem a viatura o dinheiro vai comprar
* *
Selvas de pedra barracos no morro Nervos abalados estresse acentuado
O clima está tenso nas vielas e ruas Tudo planejado no crime organizado
Borel Acari Vigário Geral Cores berrantes desse mundo errante
Sirene luz vermelha bandidos Federal Um tiro na tela um furo na realidade
Um tiro na tela
Um furo na realidade
A versão para inglês do RAP, na terceira página do folder, foi feita pelo jornalista americano Phil Smith, da antiga Drug Policy Reform Network (DRCNet), hoje stopthedrugwar.com. Ela foi feita a partir de uma versão minha da letra para o inglês, explicitando as gírias.
4a página
O que é preciso fazer
3a página
UM TIRO NA TELA
(Luiz Paulo Guanabara)
Emoção intensa ritmo acelerado Carros importados assassinos de aluguel
Na grande metrópole andando Inferno apocalipse um imenso fogaréu
apressado Comando Patrulha Comando Pirata
Guerra de gangues guerra civil Fuzis metralhadoras a ordem é matar!
X-9 sinistro sangue bom é Brasil
* *
O povo aflito o menor abandonado Família ameaçada a quadrilha no covil
O tráfico favela rola solto escancarado Tramas que se cruzam e os
O pobre amedrontado o rico acuado bandidos da Civil
Chacina sem piedade, seqüestro O rico isolado já não sabe o que fazer
na maldade O pobre apavorado já não tem o que comer
* *
Policiais bandidos traficantes regalias Mendigos prostitutas travestis e vadiagem
A selvageria prossegue noite e dia Bandidos Militar desovando malandragem
PMs receberam informação pelo rádio A droga rola solta cocaína heroína
Intenso tiroteio salve-se quem puder Lá vem a viatura o dinheiro vai comprar
* *
Selvas de pedra barracos no morro Nervos abalados estresse acentuado
O clima está tenso nas vielas e ruas Tudo planejado no crime organizado
Borel Acari Vigário Geral Cores berrantes desse mundo errante
Sirene luz vermelha bandidos Federal Um tiro na tela um furo na realidade
Um tiro na tela
Um furo na realidade
A versão para inglês do RAP, na terceira página do folder, foi feita pelo jornalista americano Phil Smith, da antiga Drug Policy Reform Network (DRCNet), hoje stopthedrugwar.com. Ela foi feita a partir de uma versão minha da letra para o inglês, explicitando as gírias.
A versão para inglês do RAP, na terceira página do folder, foi feita pelo jornalista americano Phil Smith, da antiga Drug Policy Reform Network (DRCNet), hoje stopthedrugwar.com. Ela foi feita a partir de uma versão minha da letra para o inglês, explicitando as gírias.
4a página
O que é preciso fazer
O que é preciso fazer
É preciso que as pessoas se conscientizem das consequências da proibição de drogas. Necessitamos de uma política de drogas independente dos Estados Unidos e de sua nefasta Guerra às Drogas.
É preciso uma nova atitude frente às drogas e ter a coragem de experimentar novos caminhos. Chega de insistir numa política cujo custo-benefício é sempre negativo - como demonstram a intensificação do crime, da corrupção e da violência associados ao uso e comércio de drogas ilícitas,assim como o aumento da oferta e da demanda de drogas. Temos de redirecionar da esfera militar e jurídico-policial para o campo da saúde e educação públicas os recursos utilizados para o des-controle das drogas.
É preciso que as pessoas se conscientizem das consequências da proibição de drogas. Necessitamos de uma política de drogas independente dos Estados Unidos e de sua nefasta Guerra às Drogas.
É preciso uma nova atitude frente às drogas e ter a coragem de experimentar novos caminhos. Chega de insistir numa política cujo custo-benefício é sempre negativo - como demonstram a intensificação do crime, da corrupção e da violência associados ao uso e comércio de drogas ilícitas,assim como o aumento da oferta e da demanda de drogas. Temos de redirecionar da esfera militar e jurídico-policial para o campo da saúde e educação públicas os recursos utilizados para o des-controle das drogas.
Pedimos a imediata e total descriminalização do uso de drogas, a imediata e controlada legalização da cannabis. Pedimos também a progressiva e controlada legalização de todas as plantas e drogas atualmente proibidas.
Você é a favor da Proibição de Drogas? O tráfico é.
Junte-se à Psicotropicus
end: Rua General Justo 275/316-B
20.021-130, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
tel: (55-21) 22404293
fax: (55-21) 22404377
email: tropicus@mtec.com.br
***************************************************
OBS: A pergunta e resposta a seguir foram criadas para tentar fazer as pessoas refletirem sobre como a proibição de drogas que apoiam é também apoiada pelo tráfico. Ou seja, você e o tráfico apoiam a proibição, estão do mesmo lado.
"Você é a Favor da Proibição de Drogas? O Tráfico é."
A pergunta e resposta foram depois modificadas, e se tornaram um dos lemas das marchas da maconha:
"O tráfico é contra a legalização da maconha. E você?"
publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Trabalhos de Política de Drogas apresentados na 3a Conferência da Harm Reduction Coalition, Miami, 2000
As referências a seguir dizem respeito ao trabalho "A Interferência dos Estados Unidos na Política de Drogas Brasileira" e à projeção para posterior discussão de trechos do documentário "Notícias de uma Guerra Particular", de João Moreira Salles, na terceira conferência da Coalizão de Redução de Danos (HRC, na sigla em inglês), realizada em Miami, em outubro de 2000. Os dois trabalhos foram apresentados durante uma mesma sessão da conferência, seus resumos estão no livro de abstracts.
Apresentou "A Interferência dos Estados Unidos na Política de Drogas Brasileira" como também um documentário entitulado "Notícias de uma Guerra Particular"
Todas as referências em inglês serão traduzidas para o português, ao longo da produção do relato em andamento Como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento antiproibicionista internacional. Além das duas matérias publicadas no Psicoblog sobre as marchas da maconha, Marcha 2002 e Marcha 2004, também já publicamos as referências de A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro e de Usuários de Cocaína Injetável: Porque e Como Fazem, trabalhos apresentados em 1998.
Todas as referências em inglês serão traduzidas para o português, ao longo da produção do relato em andamento Como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento antiproibicionista internacional. Além das duas matérias publicadas no Psicoblog sobre as marchas da maconha, Marcha 2002 e Marcha 2004, também já publicamos as referências de A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro e de Usuários de Cocaína Injetável: Porque e Como Fazem, trabalhos apresentados em 1998.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
USUÁRIOS DE COCAÍNA INJETÁVEL (UCI): PORQUE E COMO FAZEM
por Luiz Paulo Guanabara
Dando prosseguimento às referências do relato "Como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento antiproibicionista internacional", os dois trabalhos abaixo foram realizados no âmbito do Projeto de Redução de Danos, cuja sede estava localizada no NEPAD/UERJ.
Primeiro tive um poster selecionado que foi apresentado pelos colegas Wulmar Bastos Jr. (falecido) e Christiane Sampaio na V Conferência Panamericana de HIV, realizada entre 3 e 6 de dezembro de 1997, em Lima, Peru. A razão de ele ter sido apresentado por esses colegas do Projeto de Redução de Danos (RD) deveu-se ao fato que eu não podia estar em Lima naquela data.
Nome do poster: A Bizarra e Destrutiva Relação entre Usuários de Drogas Injetáveis e DST/AIDS
Dando prosseguimento às referências do relato "Como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento antiproibicionista internacional", os dois trabalhos abaixo foram realizados no âmbito do Projeto de Redução de Danos, cuja sede estava localizada no NEPAD/UERJ.
Primeiro tive um poster selecionado que foi apresentado pelos colegas Wulmar Bastos Jr. (falecido) e Christiane Sampaio na V Conferência Panamericana de HIV, realizada entre 3 e 6 de dezembro de 1997, em Lima, Peru. A razão de ele ter sido apresentado por esses colegas do Projeto de Redução de Danos (RD) deveu-se ao fato que eu não podia estar em Lima naquela data.
Nome do poster: A Bizarra e Destrutiva Relação entre Usuários de Drogas Injetáveis e DST/AIDS
Escola de Redução de Danos na Fronteira do Brasil com o Paraguai
"A Escola de RD de Ponta Porã, fronteira seca entre o Brasil e a cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, é fruto de mais de dez anos de trabalho de um grupo de profissionais de saúde e de outras áreas, que desenvolveu uma metodologia de trabalho com usuários de pasta base e crack. Grupos profissionais interdisciplinares de redutores de danos abordam semanalmente usuários de crack e pasta base nos locais de convivência. Criam com eles um vínculo de confiança, possibilitando o posterior encaminhamento dos usuários não apenas para tratamento no CAPSad, mas para suas famílias, para antigas e novas relações de sociabilidade, para programas de saúde, educação, trabalho, esporte, cultura e muitos outros", explicam os autores na primeira orelha.
Os resultados não podem ser mensurados, mas em Ponta Porã são reconhecidos milhares de usuários que passaram pelo atendimento e que conseguiram superar esse difícil momento de suas vidas. Outros voltaram ou iniciaram o uso do crack e da pasta, vivenciando um grande isolamento e sofrimento. Esses cidadãos são o principal motivo da Escola de RD.
Escrito pelo Professor Paulo C. Duarte Paes, PhD, e Tathyane Sanches Orlando, terapeuta ocupacional, o livro recebeu ajuda da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para sua publicação pela Editora Psicotropicus. Leia abaixo a Apresentação do livro escrita por Luiz Paulo Guanabara.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro, HRC, Cleveland, 1998
Estamos publicando este trabalho apresentado na conferência da Harm Reduction Coalition (HRC) de 1998, em Cleveland, EUA, para saber se outros colegas porventura escreveram sobre este assunto naquela época. Gostaríamos de comparar visões daquele momento em que não se falava de “guerra às drogas”, em que ninguém identificava os confrontos armados entre policiais e criminosos nas favelas e guetos do Brasil como uma decorrência direta dessa guerra. Não conhecemos nenhum outro trabalho sobre o assunto publicado ou apresentado naquele tempo por pesquisadores brasileiros. Se existem, gostaríamos de referi-los nesta matéria.
Portanto, muito provavelmente esta foi a primeira vez que a violenta política brasileira de confronto armado entre policiais e "traficantes", assim como suas consequências, foi denunciada no exterior. A plateia era composta de ativistas, acadêmicos, pesquisadores, usuários de drogas, profissionais da saúde, do direito e de outras áreas afins. O teatro da guerra eram - e ainda são - as favelas e guetos.
Certificado da apresentação do trabalho "The War on Drugs in Rio de Janeiro" (A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro) na 2a Conferência da Harm Reduction Coalition, Cleveland, 1998
Portanto, muito provavelmente esta foi a primeira vez que a violenta política brasileira de confronto armado entre policiais e "traficantes", assim como suas consequências, foi denunciada no exterior. A plateia era composta de ativistas, acadêmicos, pesquisadores, usuários de drogas, profissionais da saúde, do direito e de outras áreas afins. O teatro da guerra eram - e ainda são - as favelas e guetos.
Certificado da apresentação do trabalho "The War on Drugs in Rio de Janeiro" (A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro) na 2a Conferência da Harm Reduction Coalition, Cleveland, 1998
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