Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Trabalhos de Política de Drogas apresentados na 3a Conferência da Harm Reduction Coalition, Miami, 2000

As referências a seguir dizem respeito ao trabalho "A Interferência dos Estados Unidos na Política de Drogas Brasileira" e à projeção para posterior discussão de trechos do documentário "Notícias de uma Guerra Particular", de João Moreira Salles, na terceira conferência da Coalizão de Redução de Danos (HRC, na sigla em inglês), realizada em Miami, em outubro de 2000. Os dois trabalhos foram apresentados durante uma mesma sessão da conferência, seus resumos estão no livro de abstracts.



















Apresentou "A Interferência dos Estados Unidos na Política de Drogas Brasileira" como também um documentário entitulado "Notícias de uma Guerra Particular"

Todas as referências em inglês serão traduzidas para o português, ao longo da produção do relato em andamento Como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento antiproibicionista internacional. Além das duas matérias publicadas no Psicoblog sobre as marchas da maconha, Marcha 2002 e Marcha 2004, também já publicamos as referências de A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro e de Usuários de Cocaína Injetável: Porque e Como Fazem, trabalhos apresentados em 1998. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

USUÁRIOS DE COCAÍNA INJETÁVEL (UCI): PORQUE E COMO FAZEM

por Luiz Paulo Guanabara

Dando prosseguimento às referências do relato "Como a Psicotropicus inseriu o Brasil no movimento antiproibicionista internacional", os dois trabalhos abaixo foram realizados no âmbito do Projeto de Redução de Danos, cuja sede estava localizada no NEPAD/UERJ.

Primeiro tive um poster selecionado que foi apresentado pelos colegas Wulmar Bastos Jr. (falecido) e Christiane Sampaio na V Conferência Panamericana de HIV, realizada entre 3 e 6 de dezembro de 1997, em Lima, Peru. A razão de ele ter sido apresentado por esses colegas do Projeto de Redução de Danos (RD) deveu-se ao fato que eu não podia estar em Lima naquela data.

Nome do poster: A Bizarra e Destrutiva Relação entre Usuários de Drogas Injetáveis e DST/AIDS






















Escola de Redução de Danos na Fronteira do Brasil com o Paraguai

"A Escola de RD de Ponta Porã, fronteira seca entre o Brasil e a cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, é fruto de mais de dez anos de trabalho de um grupo de profissionais de saúde e de outras áreas, que desenvolveu uma metodologia de trabalho com usuários de pasta base e crack. Grupos profissionais interdisciplinares de redutores de danos abordam semanalmente usuários de crack e pasta base nos locais de convivência. Criam com eles um vínculo de confiança, possibilitando o posterior encaminhamento dos usuários não apenas para tratamento no CAPSad, mas para suas famílias, para antigas e novas relações de sociabilidade, para programas de saúde, educação, trabalho, esporte, cultura e muitos outros", explicam os autores na primeira orelha.


Os resultados não podem ser mensurados, mas em Ponta Porã são reconhecidos milhares de usuários que passaram pelo atendimento e que conseguiram superar esse difícil momento de suas vidas. Outros voltaram ou iniciaram o uso do crack e da pasta, vivenciando um grande isolamento e sofrimento. Esses cidadãos são o principal motivo da Escola de RD. 


Escrito pelo Professor Paulo C. Duarte Paes, PhD, e Tathyane Sanches Orlando, terapeuta ocupacional, o livro recebeu ajuda da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul para sua publicação pela Editora Psicotropicus. Leia abaixo a Apresentação do livro escrita por Luiz Paulo Guanabara.

























segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro, HRC, Cleveland, 1998

Estamos publicando este trabalho apresentado na conferência da Harm Reduction Coalition (HRC) de 1998, em Cleveland, EUA, para saber se outros colegas porventura escreveram sobre este assunto naquela época. Gostaríamos de comparar visões daquele momento em que não se falava de “guerra às drogas”, em que ninguém identificava os confrontos armados entre policiais e criminosos nas favelas e guetos do Brasil como uma decorrência direta dessa guerra. Não conhecemos nenhum outro trabalho sobre o assunto publicado ou apresentado naquele tempo por pesquisadores brasileiros. Se existem, gostaríamos de referi-los nesta matéria.

Portanto, muito provavelmente esta foi a primeira vez que a violenta política brasileira de confronto armado entre policiais e "traficantes", assim como suas consequências, foi denunciada no exterior. A plateia era composta de ativistas, acadêmicos, pesquisadores, usuários de drogas, profissionais da saúde, do direito e de outras áreas afins. O teatro da guerra eram - e ainda são - as favelas e guetos.


HRC98_WarOnDrugs

Certificado da apresentação do trabalho "The War on Drugs in Rio de Janeiro" (A Guerra às Drogas no Rio de Janeiro) na 2a Conferência da Harm Reduction Coalition, Cleveland, 1998


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Marcha da Maconha 2004, Rio de Janeiro, Ipanema, maio de 2004

por Luiz Paulo Guanabara

Outro dia recebi uma dissertação sobre a chamada Marcha da Maconha, mais uma, o autor preocupado com seu capítulo sobre a história do movimento e me comunicando que usara todo o material publicado neste blog sobre a primeira marcha da maconha feita no Brasil, no Rio, em maio de 2002, quando cerca de 500 pessoas tomaram as ruas de Ipanema, indo da Praça N. Sra da Paz até o Posto 9, ocupando um quarteirão inteiro da Rua Visconde de Pirajá antes de dobrar na Vinícius de Morais e chegar na praia.

Depois da Marcha de 2002 organizada pela ativista portuguesa Suzana Souza, que ao mesmo tempo também organizou a 1a marcha da maconha em Rosário, Argentina, no mesmo fim de semana, Suzana nunca mais se envolveu publicamente com atividades pela legalização da maconha. Ela me apresentou ao novaiorquino Dana Beal diretor da ONG Cures-Not-Wars (algo como Curar Sim Guerras Não) e a Psicotropicus passou a ser a organização representante oficial da Marcha Mundial da Maconha (MMM), que em 2002 foi realizada em cerca de 250 cidades ao redor do mundo.

Ou seja, a Suzana introduziu o Rio no mapa do projeto internacional da MMM, que chegou a reunir mais de 300 cidades em algumas de suas edições, iniciadas em 1999. As passeatas e manifestações pela legalização da maconha tiveram início nos anos 1960-70, as mais visíveis tendo ocorrido nos EUA. No início de seu governo o presidente Jimmy Carter chegou a legalizar a maconha, para voltar atrás alguns meses depois. Mas foi o projeto da MMM que estabeleceu uma continuidade de marchas anuais em um número cada vez maior de cidades.
MMM 030

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Globo e a UNGASS 2016

Luiz Paulo Guanabara

A guerra contra as drogas na pauta do novo Congresso

 Globo_Toxicos

O editorial de O Globo sobre a questão das drogas tem evoluído na direção da reforma da política de drogas, mas “mercado dos tóxicos” é foda!! Tóxico significa veneno, usar essa palavra como sinônimo de drogas ilícitas revela um profundo desconhecimento de suas características químicas e de seus efeitos no SNC - nada para se espantar em se tratando de jornalistas:
- estimulantes
- depressoras
- psicodélicas ou alucinógenas (que perturbam quem as classifica como “perturbadoras”!)
- maconha (que muitos não consideram fazer parte desse eclético arsenal de psicoativos chamados “drogas”)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

V Conferência Latino-Americana sobre Política de Drogas

V Conferência Latino-americana sobre Política de Drogas
Ao longo da Conferência, ocorrerão o Encontro Continental de Ativistas pela Legalização da Maconha e a Segunda Reunião da Rede Latino-Americana de Pessoas que Usam Drogas (LANPUD), uma rede filiada a Rede Internacional de Pessoas que Usam Drogas (INPUD, na sigla em inglês).
confedrogas
OBS: a II Conferência Latino-americana sobre Politica de Drogas foi realizada em agosto de 2010, na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma parceria entre a argentina Intercambios Asociación Civil e a Psicotropicus.

publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara

quinta-feira, 5 de junho de 2014

REFLEXÅO: ABORTO X CRACOLÅNDIA

Por Denise Leão Corrêa


Participei de uma pesquisa só com mulheres sobre diversos temas da atualidade, entre eles a legalização do aborto e segurança pública. A princípio uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas no final consegui perceber uma relação entre os dois assuntos.

A maioria das mulheres presentes era contra o aborto por questões religiosas e a favor de mais repressão policial contra as cracolândias.

O que me chamou muito a atenção foi que essa maioria contra o aborto era a mesma maioria a favor de que a polícia retire de qualquer maneira os "cracudos" das ruas. Eles devem desaparecer porque são vagabundos, safados e sem vergonhas.

Ora, não seriam eles os filhos não abortados de pessoas pobres, sem condições de fazer abortos clandestinos caros, ou que simplesmente não quiseram realizá-los pelas mesmas questões religiosas? Agora que esses filhos nasceram e cresceram eles podem morrer ou "desaparecer"?

Essas pessoas já são vítimas do preconceito, da discriminação e são excluídas da sociedade, e ainda devem "desaparecer" para não chocar as vistas das falsas moralistas. Que pessoas são essas que não aceitam o aborto de fetos em nome de uma religião mas incentivam o recolhimento forçado e desaparecimento de crianças, adolescentes e adultos porque eles não se adequam às normas vigentes dessa sociedade religiosamente hipócrita?

publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

VIOLÊNCIA E O TRÁFICO DE DROGAS

por Denise Leão Corrêa

O governo brasileiro ajudado pela midia responsabiliza o tráfico e os consumidores de drogas pela violência nas cidades. Se fosse simples assim bastaria legalizar as drogas e o problema se resolveria. Certo? Errado.

As autoridades sabem disso mas preferem manter todos na ilusão de que basta aumentar o número de policiais nas ruas para que estejamos seguros. Será? Não concordo.

A aparente segurança proporcionada por jovens policiais despreparados e mal pagos, subordinados aos corruptos não pode acabar bem. Estou aguardando mais uma tragédia no momento em que houver o primeiro tiro na praia. Vai ser um massacre! A quantidade de polícia armada nos fins de semana nas praias de Ipanema, Arpoador e Leblon é assustadora. Até o esquadrão especial está presente. Como alguém pode se sentir tranquilo indo à praia com a família para relaxar e se deparar com aquela quantidade de policiais?

Pois é, e a população acha que as autoridades agora estão tomando providências. Será mesmo essa a solução? Quantos policiais serão necessários para conter a crescente violência nas cidades? As UPPs já não estão dando conta nas “comunidades” e será que o aumento de policiais nas ruas é a solução? É a solução que aparece a curto prazo em ano de eleições e de Copa do Mundo. E depois? Como ficamos?

A incompetência e a falta de vontade política dos governantes geram um povo alienado às verdadeiras causas da violência, que são a grande desigualdade social, a falta de educação e de oportunidades de empregos para todos. A midia capitalista bombardeia os lares com compre, compre, compre. As novelas mostram uma classe social privilegiada de dar inveja a qualquer um. Mas a culpa da violência é do tráfico de drogas! E o povo acredita!

publicado neste Blog por: Luiz Paulo Guanabara

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Tudo ou quase tudo que você não sabia a respeito da Marcha da Maconha em 4 de maio de 2002 no Rio de Janeiro

Concentração na Pça Nossa Senhora da Paz 
Ipanema, 4 de maio de 2002
por Luiz Paulo Guanabara


O Globo e Jornal do Brasil ficaram sabendo da marcha que seria realizada e publicaram as seguintes matérias: